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segunda-feira, 9 de novembro de 2015

SOBRE A REFORMA PROTESTANTE E O ABISMO CONTRADITÓRIO ENTRE [TEORIA/PRÁTICA] DO NOSSO POVO

Comemora-se hoje, dia 31 de outubro, 498 anos da reforma protestante. Atenho-me aqui e refletir sobre o contraste entre o discurso e a prática de alguns grupos, denominações, ou até mesmo, de alguns irmãos.

A reforma evoca consigo 5 lemas emblemáticos, defendidos por Martinho Lutero em seus textos: 1) sola fide (somente a fé); 2) sola scriptura (somente a Escritura); 3) solus Christus (somente Cristo); 4) sola gratia (somente a graça), e 5) soli Deo gloria (glória somente a Deus).

Proponho alguns questionamentos:
1) aonde foi parar o "somente a fé" no discurso dos pregadores hodiernos? A fé pra esse pessoal se tornou adesão a um conjunto de dogmas, e ouse lá você questioná-los. Fé enquanto dom sobrenatural não existe; aqui, ela se tornou apenas catequese - doutrinamento dos dogmas para fazer parte da igreja e participar dos sacramentos.

2) como assim "somente a Escritura"? Choro diversas vezes, por achar que de Escritura nossos púlpitos tem muito pouco, ou, quem sabe, quase nada. Estamos repletos das deduções de nossos líderes que "estudaram teologia" e dominaram de forma interesseira a arte de manipular os incautos - ingênuos.

3) a exclusividade a Cristo - "somente a Cristo" - não está fácil de achar. A vibe de alguns irmãos "protestantes" foi apenas criticar o catolicismo que, para eles "adoram" imagens, como se idolatria fosse apenas a imagens. Pergunto: supervalorizar uma ideia sobre Jesus, não seria uma outra forma de idolatria? Dogmatizar a fé como Lutero fez, não seria em potencial uma forma de culto a si próprio? Lutero, Lutero...

4) essa é a mais engraçada: "somente a graça". Muito curioso perceber como há uma distância escrepante, aqui, entre o lema reformador e a prática de alguns grupos ditos protestantes. Na prática, o recém convertido é informado da graça mas para tudo ele tem que merecer, ou seja, para se batizar tem que largar o cigarro, parar de beber e de ouvir música do "mundo"; para participar da ceia, ser membro da igreja e outras coisas tem que ser batizado, logo estamos inseridos em uma estrutura meritória. Ou a confiança é na graça ou é em sim, mais ou menos não dá!

5) o último ponto importante da reforma é "glória somente a Deus". Não é difícil vermos os "deuses" de terno em nossos arraias eclesiásticos; pessoas intocáveis, lideres ungidos, gente que parece que não erra. Alguns até usam do certo "poder" para perseguir quem questiona sua liderança, ou simplesmente, pede alguma explicação lógica de algumas neuroses.

Oxalá que haja mais harmonia entre os lemas reformáticos e o nosso discurso/prática.

Oxalá que percebamos, urgentemente, uma igreja mais autocrítica e menos ensimesmada.

Oxalá que experimentemos o real significado de ser um protestante, pois a maioria não sabe, tornando-se apenas reprodutores de discursos "divinos" sem nenhum tipo de reflexão séria.

Oxalá...

© Diego
31/10/2015

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