QUEBRANDO PARADIGMAS (I)
Muito se
fala de quebra de paradigmas, no entanto, de tudo o que já li, em
sua grande maioria, não atingiu o que penso ou o que quero tratar
aqui como quebra de paradigmas.
O que
desejo abordar está no âmbito da teologia ou das teologias que
vemos hoje. Os paradigmas de sucesso que vemos hoje foram
construídos historicamente, talvez seja por isso seu alcance,
sustentação e repetição.
O
primeiro paradigma que desejo abordar é a atenção que damos ao
pecado original, o pecado do primeiro casal (Gênesis 3).
Quando fala dessa atenção, digo pelo fato de que a tradição dá
muito mais atenção ao primeiro pecado do que propriamente dito à
criação do homem. A Bíblia não começa com o pecado, mas sim, com
a Criação. Quando não damos a devida atenção à criação,
enfraquecemos em nossa compreensão do homem que é imagem e
semelhança de Deus.
O homem é
criação de Deus e possui Sua imagem, e nada, absolutamente nada,
pode retirar isso. A nossa teologia precisa ser permeada pela
compreensão de que o grande arquiteto do homem é o Senhor, o nosso
Deus. O grande paradigma a vencermos é o de que a Bíblia começa
com o homem sendo criado e não com o homem pecando. Deus criou o
homem. Formou o homem. E ofereceu ao homem o jardim. Não podemos
sustentar o paradigma que enfraquece nossa percepção de ser humano.
O segundo
grande paradigma é o do dia, do anjo e o da casa do Senhor.
Interessante que nossa teologia hoje ainda sustenta a ideia de uma
espiritualidade vencida pelo próprio Cristo. O ensino dessa teologia
é o domingo é o dia do Senhor; que o pastor é o anjo do Senhor e
que o templo é a casa do Senhor. Eis o outro paradigma a superarmos.
O Novo Testamento vai dizer que “somos a geração eleita, o
sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de
Deus, para que anuncieis as grandezas daquele que vos chamou das
trevas para sua maravilhosa luz” (2 Pedro 2, 9).
A
estrutura religiosa vetero testamentária está
superada pela obra do Cristo na Cruz que convida a todos, a serem
governados por Ele a fim de que o mundo seja plenamente habitável
num ambiente que facilite o governo do Reino de Deus. Jesus
possibilita que eu e você vençamos a agenda da religiosidade, onde
Nele podemos tornar todos os dias, o dia do Senhor; podemos nos
considerar todos, os “anjos” do Senhor; e não precisamos da
casa do Senhor para cultuá-lo, porque todos somos, a partir de
Jesus, a casa do Senhor, comprada por preço de Sangue.
O
terceiro paradigma a pensarmos é o de acharmos que o homem é um ser
compartimentalizado. Precisamos vencer esse paradigma platônico que
impera na nossa teologia cristã. O pensamento mais veiculado em
nossos púlpitos ocupados por pregadores mais conservadores dividem o
homem em corpo, alma e espírito. Isso não é possível. A
imortalidade da alma, por exemplo, é um conceito grego e não
cristão; piorando a situação, torna-se até um conceito espírita
kardecista. Paulo, apóstolo, prega
sobre a ressurreição do corpo, do ser humano de forma holística
(1 Coríntios 15: 1-58). O Gênesis vai dizer que o Senhor fez o
boneco e depois soprou nas suas narinas e ele se tornou: “alma
vivente”. O Pr. Ed René, vai
dizer que “o corpo sem alma é defunto; e a alma sem
corpo é fantasma”.
O ser humano é integral e não pode ser departamentalizado, mas caso
ele seja, o paradigma continuará sendo sustentado. A palavra
central do evangelho é integral. É o ser humano completo e pleno,
por isso Jesus nas palavras do Evangelista João oferece vida plena,
vida abundante. O grande nome para quebrar os paradigmas chama-se
Jesus, o Cristo. Ele se tornou a maior expressão da superação da
religião como judeu que era.
Como seguidor e servo do Reino de Deus desejo oferecer minha vida
para que a partir de Jesus possamos apresentar às pessoas não um
outra religião diante de tantas que já temos, contudo, anunciar
Jesus com tudo o que fazemos, entendendo que todo dia é dia do
Senhor, que todas as pessoas são pessoas criadas pelo Senhor e que
mundo precisa ser habitável a partir do governo do Reino de Deus.
Para isso, precisamos quebrar os paradigmas que limitam a nossa visão
de evangelho, de ser humano, de teologia e de reino de Deus.
Que Deus nos ajude nessa empreitada!
Paz e Bem!
Diego Nunes de Araujo, Pr
07/2014