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quinta-feira, 24 de setembro de 2009

A ESCOLA DE JESUS

- Estudos do Sermão do Monte -

Capítulo I: As Bem-Aventuranças. (Mt 5, 1-16).

A expressão “sermão do monte” é entendida por muitos e por quase todos nós como se os ensinos Jesus fossem registrados de uma só vez, de maneira que os mesmos tivessem sido registrados de uma única ocasião.

A título de introdução, precisamos entender esta questão preliminar, porém importante, que Jesus não ensinou todo o sermão de uma só vez. O seu sermão era ensinado, de acordo com várias ocasiões de seu ministério terreno.

Para o evangelista Mateus, o Mestre Jesus se assenta, pois era uma prática importante do Rabi que era ensinar sentado. Como Moisés, considerado também como aquele que ensinara ao povo a Lei divina, Jesus ensina uma nova “lei”, onde na verdade, possui uma concepção diferente do conteúdo Mosaico.

A “lei” de Jesus não é um código de regras exteriores que possa ser seguido ao pé da letra, mas sim, uma série de princípios, ideais e motivos para a conduta. O profeta Jeremias anunciara: “Mas este é o pacto que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo”. Esta profecia inclusive demonstra biblicamente sobre o novo pacto que agora seria escrito no coração do povo, isto é, daqueles que nele cressem.

Partindo para o estudo das Bem-Aventuranças, devemos citar que as mesmas devem ser notórias na vida daqueles que dependem do domínio do soberano Deus. Não há possibilidades dessas Beatitudes não serem vistas, pois se não são identificadas na vida dos que são cristãos, algo de errado e equivocado aconteceu.

Muitos salmistas já haviam elucidado essas atitudes que agora são as boas atitudes que podemos exercer. No entanto, Jesus, foi aquele que formou uma espécie de “mosaico” do caráter cristão.

O primeiro ponto das Bem-Aventuranças é os “humildes de espírito”. Uma tradução talvez inadequada fosse “pobres de espírito". Digo inadequada, pois uma pessoa que se sente psicologicamente abatida continuará a entender sua vida como pobre, desprezível e insignificante. O sentido é de coração humilde que entende que não pode fazer nada na sua vida se existir a ação poderosa do grande Deus. Não há espaço para os orgulhosos no reino de Deus, pois suas auto-suficiências são incompatíveis com o reino que é para os humildes.

A segunda Bem-Aventurança é os que “choram”. Os que choram são tantos os que lamentam tanto os pecados e falhas, como o mal preponderante no mundo que causa miséria e sofrimento para a humanidade de uma maneira geral. Mas, um dia o Senhor Deus “lhes enxugará dos olhos toda lágrima”.

A terceira importante atitude é a dos “mansos”, pois se humilham diante de Deus por reconhecerem sua total dependência Dele. A conseqüência dessa dependência é a gentileza no trato e no relacionamento inter-pessoal. O evangelista escreve o mestre Jesus fazendo um convite para os que estão cansados e sobrecarregados, pois Ele oferecia alívio devido a sua natureza humilde e mansa (Mt 11, 28-29). Quando o senhor tiver destruído todos os que em sua arrogância resistem à vontade soberana Dele, os mansos serão os únicos a herdar a terra.

A quarta atitude das Bem-Aventuranças é “os que têm fome e sede de justiça”. Estes anseiam por ver a vitória sobremaneira de Deus sobre o mal e o seu reino planamente estabelecidos. Uma conseqüência dessa esperança cativada faz com que venhamos a faze o que é reto e justo.

A quinta beatitude é a dos “misericordiosos”. São aqueles que estão conscientes de serem alvos da misericórdia de Deus. Por entenderem que são alvos dessa misericórdia, dia a após dia tentam demonstrar esse favor de Deus a todos quantos com eles conviverem.

A próxima Bem-Aventurança é os “limpos de coração”. Estes são os íntegros, livres da tirania do “eu” dividido, e que não ficam tentando servir a Deus e a mundo ao mesmo tempo. Destes é impossível que Deus se esconda. Vivem como se já pudessem ver aquele que invisível e a quem, um dia, verão tal com Ele é. Esta imagem pura deseja atirar para uma linguagem poética, isto é, a linguagem é dirigida pela licença poética que temos ao falar daquilo que nos escapa.

A penúltima Bem-Aventurança é os “pacificadores”. São os que estão em paz com Deus, pois assim serão chamados filhos de Deus. Em toda oportunidade surgida, os pacificadores tentam reconciliar qualquer tipo de relacionamento destruído, separado e que estão em discórdia. Água em lugar de lenha, este é o ofício do filho de Deus.

A última Bem-Aventurança é os “perseguidos”. Os perseguidos são os que vivem sobre a ética que entende ser a que melhor expressa a vontade do senhor Jesus, o Cristo de Deus para a sua vida. Por se amalgamar a cada dia com essa mensagem, os filhos de Deus são perseguidos, pois o reino de Deus é justiça. Possuem a esperança de viverem eterna e permanentemente no reino dos céus.

Jesus termina o bloco das Bem-Aventuranças relatando que seriam perseguidos, injuriados e caluniados. A proposta de Jesus relatada pelo escritor é honesta e sincera. Não oferece qualquer benefício terreno e humano, no entanto, dá uma esperança que precisa de fé para aceitar. Jesus promete o galardão nos céus, isto é, o gozo e a vitória final sobre tudo o que é imoral, desprezível e passado.

O escritor passa para um outro bloco onde os discípulos são identificados pelo Cristo de sal da terra e luz do mundo. Esta característica precisa ser marcante, latente e visível na vida dos cristãos. Como os profetas que possuíam sua identificação perante o mundo, os cristãos naquele momento também deveriam demonstrar diferença, isto é, salgar e iluminar este mundo sem graça e sem sabor.

Se não possuo a vontade de querer salgar este mundo e iluminá-lo, serei sempre um sal dento do saleiro, isto é, um sal que salga quem é sal, ou quem não precisa ser salgado. Dentro do saleiro, todos é sal, o desafio é salgarmos aqueles que precisam um pouco de sal, de sabor e quem sabe de sentido para a vida. Iluminar a ponto de trazer luz ao lugar que está padecendo necessidades sociais, espirituais e emocionais.

Em suma, os discípulos não devem se esconder, mas viver e trabalhar em lugares onde sua influência seja sentida e a luz que neles haja seja mais plenamente manifesta a outros, não para a glorificação e exaltação própria, mas para que outros e outros possam ver que a luz da verdadeira bondade cristã, expressando-se em atos reais de gentileza e serviço, não é uma luz deste mundo, mas vem de Deus, e possam por conseqüência ser levados a dar honras e louvores ao Doador da mesma.

Diego Nunes de Araujo
09/2009

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