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sábado, 20 de fevereiro de 2010

NOITE SEM DEUS

Nada se compara a uma noite, principalmente quando se está sozinho, sem respostas e com interrogações. Nossa vida é marcada de incertezas, momentos de incredulidades e momentos onde não encontramos motivos para sorrir, cantar e buscar.

Este somatório de minutos, horas e dias que passamos que relatei acima são representações de uma NOITE. A noite me parece sem respostas, pois é muito calada, sem ações e demonstrações de qualquer tipo de reação. Considero sem respostas devido à capacidade que ela possui de apresentar o frio fazendo com que o mesmo pare nossa vontade de viver e crescer.

Devido ao silêncio que a noite possui, ou, o silêncio que nós possuímos quando nos deparamos com a mesma, pois não há silêncio na natureza que seja absoluto. Ela está sempre fazendo um barulho. Nós temos a tendência de achar que a noite por si só produz silêncio, mas não é sozinha a causadora disso. O silêncio que sentimos é o nosso próprio silêncio em contato com a noite, com a natureza.

O vento sempre balança algum galho, sempre algum cachorro late na noite, a cigarra sempre está a imitar o Pavarotti, sempre algum carro está a passar, uma pessoa voltando da balada conversando sozinha, enfim, na noite continuamente se escuta alguma coisa. O problema não é silêncio da noite, pois ela tem seus cantos, problema e a questão é nosso silêncio, pois o fato de nos deparar com a escuridão remete-nos ao medo, pensamos que estamos sem companhia.

Quando chegamos ao ponto de acharmos que estamos sem companhia, temos o diagnóstico de que trocamos as bolas no tocante ao entendimento da noite que passamos em nossas vidas várias vezes. Nossa concepção de noite nos fará entender muitas vezes o porquê e o para quê da própria noite?

Ao termos uma concepção cultural e histórica a respeito da noite chegamos a um entendimento que as interrogações que temos são para produzir dor, desgaste físico e preocupação em nível ainda maior em nossas vidas.


Como já elucidei, a noite é estranha, diferente e atípica, mas esse pensamento ainda mais estremado acontece devido a uma concepção específica da noite. Quando estamos curtindo ou com medo do silêncio que a noite reproduz em nós, precisamos refletir na nossa confiança em Deus. A interrogação deve nos levar a fé, a devoção a Deus de maneira integral. Não digo fé a um Deus que tudo faz a nosso favor na hora e do jeito que queremos, todavia, um Deus que nos ouve, pois ele é o criador e está presente inclusive nessa noite que nos faz refletir e acharmos que estamos sozinhos e sem solução.

A noite só reproduz falta de fé, falta de devoção e medo, quando Deus não se encontra nesta noite, pois Deus precisa ser encontrado nesse vento que sacode as árvores, nessa conversa no vizinho, no carro que passa e passa, na areia que é levantada devido à própria natureza, no cântico da cigarra, no cachorro que late sem parar, no gato que pula e suja o muro, enfim, preciso deixar Deus fazer sentido nesses movimentos naturais.

Nem pense você que estou dizendo que Deus é tudo, mas digo que Ele criou tudo o que existe e por isso pode ESTAR em tudo. Noite é a mesma coisa que a manhã, a diferença é que em um momento é mais escuro que o outro. Noite é antônimo de sofrimento, de angústia, de dor, de solidão, de falta de esperança; mas é sinônimo da ausência disso tudo e uma corrida para os braços amoráveis de Deus, para um desvincular-se dos outros que estão dormindo e ligar-se Naquele que não dorme, mas está presente em todos os lugares, em todas as situações, em todas as escuridões.

Noite para Deus é um dia, pois Ele está para além de todas as transformações climáticas e temporais, diferentemente de todos nós que nos controlamos e moldamos por essas questões. Como Deus não se coloca submisso a nada que cria, precisamos refletir sobre nossa condição diante da noite e olharmos para a noite como mais um momento de entrega e submissão a Deus e não de falta de fé e falta de esperança.

Nossas noites serão melhores com a presença de Deus, pois sem essa fé estaremos vivendo profundas noites de sofrimento e desespero, noites que poderemos chamar de: SEM DEUS!

Diego Nunes de Araujo
02/2010

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