ENCONTRO, INTIMIDADE E EXPERIÊNCIA (II)
O texto fala de uma ordem lógica e bem simples, em se tratando de relacionamentos. Quando estabelecemos encontros em nosso dia a dia, aqueles corriqueiros, sem muita fala, por exemplo: "olá"; "obrigado"; "com licença"; "pois não"; "tchau"; "sim, pode falar senhora"; "não há de que" e etc. Expressões como essas fazem parte da vida em sociedade, mas com elas apenas, a intimidade não se estabelece.
O encontro que gera intimidade é contínuo, diário, costumeiro, está sempre presente. A intimidade é uma característica de relacionamento, pois há relacionamentos de pai e filho que não há intimidade, logo sem experiências. Existem amigos que se falam mais vezes do que marido e esposa. São exemplos vistos em nossos círculos sociais.
O que está faltando nas famílias, por exemplo, para se estabelecer um encontro completo?
1º ADMINISTRAÇÃO DO TEMPO.
Administrar o tempo é um grande desafio. O poeta popular disse: "o tempo não para". Realmente, olhando agora para o meu relógio vejo que ele está em constante movimento, mas, e nós? A necessidade é latente e urgente. Não administrar o tempo é uma erva daninha que nos levará a morte relacional. Trabalho, faculdade, curso, namoro, lazer, descanso, amizades, em suma, a família nesse processo vai ficando distante, cada vez mais longe.
Lidar com o tempo é uma arte que a geração Z precisa(rá) aprender. Interessante foi um um dia observar uma família no restaurante. O pai e a mãe colocando o assunto em dia, pois a falta de tempo era visível para aquele casal. A mulher falava, falava e falava e o marido com um olho na mulher e o outro no seu celular, talvez esperando um e-mail relacionada a seu trabalho. E as crianças? O menino com seu playstation de mão, talvez jogando aqueles jogos violentos, de tiros e coisas assim. A menina, interessante, como de costume delas, no seu Ipod, Iphone, "I alguma coisa", muito vidrada naquilo, talvez estivesse numa rede social batendo papo com uma amiga.
Essa cena é vista repetidas vezes. O tempo é apertado a todos e para vivermos em família, com os amigos que temos e com as atividades que desenvolvemos, precisaremos redesenhar nossas ações e prioridades no tempo. Escrever na geladeira os aniversários dos membros da família, colocar na agenda pessoal e profissional notas que lembrem que temos família, ou seja: "ligar pra esposa"; "mandar um sms pro filhão"; "comentar de uma tendência da moda com a filhona" e enfim. Atitudes proativas e preventivas são importantes na luta contra a falta de tempo que podem favorecer, sobretudo, o encontro, a intimidade e a experiência.
O que está faltando nas famílias hoje para se estabelecer um encontro completo?
2º INTERESSE PELA ALEGRIA DO OUTRO.
O melhor verbo para esse ponto é doar. Se doar pela alegria do outro é algo que faz bem a nós e aquele que será objeto da nossa doação. Lutar pela satisfação do filho, da esposa, do pai e da mãe deve fazer parte de nossa agenda pessoal. Os cursos podem vir depois; o trabalho da faculdade pode esperar um pouquinho mais; se possível, até o papa pode aguardar. A família é a primeira esfera social que Deus nos deu para atender, cuidar e amar...
Mas o que leva as pessoas a serem desinteressadas pela alegria do próximo? Seus próprios interesses. A urgência de que temos que dar certo, que não podemos fracassar, que não podemos repetir de série, que temos procurar alguém se não vamos ficar pra titia(o). Essas imposições sociais levam muitas pessoas a esquecerem da família e viverem apenas para essas demandas, que na maioria das vezes causam doenças emocionais sérias, mas antes ainda, provocam um afastamento de pessoas tão próximas.
Doar-se pela alegria do outro é oferecer sempre aquela palavra de conforto e ânimo a quem convive conosco. Oferecer aquele presente sincero também pode deixar o filho alegre, contente. Surpresas e coisas inesperadas, representam sempre uma alegria bem gostosa de experimentar. Por isso, faça surpresas. Seja a alegria de um sábado qualquer da vida para as pessoas que estão com você. Faça coisas inesperadas: "hoje, nós vamos jantar fora"; "Amanhã pessoal não vamos a igreja, vamos à praia"; "ninguém acorda cedo pra fazer café, vamos tomar café na padaria". Dar-se em favor da alegria do outro facilitará o encontro, a intimidade e a experiência.
O que está faltando nas famílias ainda para se estabelecer um encontro completo?
3º CONTEXTUALIZAÇÃO.
Olhar o mundo do mais moço à luz do mundo do jovem de 50 anos atrás é um suicídio relacional. Não dá para se desenvolver proximidade dizendo ao jovem que ele tem que falar, se vestir, pensar, andar como andava seu avó quando era jovem. Os tempos mudam e graças a Deus por isso. A proximidade se dá pela disposição de conhecer o mundo do mais jovem, saber seus anseios e dilemas. Não se interessar, ou pelo menos conhecer, aquilo que tira a atenção do filho adolescente é não dar importância a ele. Para o adolescente, gostar dele é se interessar pelo que ele gosta e a contextualização ajuda nesse ideal.
A contextualização não é algo ruim para ninguém, o problema é que tira muita gente da zona de conforto. A pior situação é aquela que nada consegue nos impulsionar à frente. Em nossos relacionamentos, precisamos demonstrar o quanto queremos e amamos o outro dando importância ao que ele faz e/ou gosta. Mesmo que nossa geração tenha sido outra e nossa criação tenha sido bem distinta, quando estamos sob o mesmo teto a coisa muda.
A vida requer de nós muitas coisas. Contextualizar-se é aprender coisa nova, é conhecer coisas diferentes, é tratar com diversas pessoas de igual para igual. Se faltar a contextualização, ficará comprometido o encontro, não será completo, não será saudável, não será acompanhado de intimidade e experiência. Viver experiências com minha família requer de mim conhecimento e interesse pelo outro e pelo que ele faz.
Enquanto faltar administração do tempo, interesse pela alegria do outro e contextualização veremos crescer a cada dia índices de relacionamentos incompletos, frios e sem animosidade. Enfim, vivemos muitos encontros em nossa vida, poucos nos arrebatam, poucos nos levam a vivências de intimidade. Mortes, adultérios, fornicações, mentiras, furtos serão números cada vez menores se não faltar encontro, intimidade e experiência.
"Eu te amo...não diz tudo!" (Arnaldo Jabor)
Paz e Bem!
Pr. Diego Nunes de Araujo
01/2013
O melhor verbo para esse ponto é doar. Se doar pela alegria do outro é algo que faz bem a nós e aquele que será objeto da nossa doação. Lutar pela satisfação do filho, da esposa, do pai e da mãe deve fazer parte de nossa agenda pessoal. Os cursos podem vir depois; o trabalho da faculdade pode esperar um pouquinho mais; se possível, até o papa pode aguardar. A família é a primeira esfera social que Deus nos deu para atender, cuidar e amar...
Mas o que leva as pessoas a serem desinteressadas pela alegria do próximo? Seus próprios interesses. A urgência de que temos que dar certo, que não podemos fracassar, que não podemos repetir de série, que temos procurar alguém se não vamos ficar pra titia(o). Essas imposições sociais levam muitas pessoas a esquecerem da família e viverem apenas para essas demandas, que na maioria das vezes causam doenças emocionais sérias, mas antes ainda, provocam um afastamento de pessoas tão próximas.
Doar-se pela alegria do outro é oferecer sempre aquela palavra de conforto e ânimo a quem convive conosco. Oferecer aquele presente sincero também pode deixar o filho alegre, contente. Surpresas e coisas inesperadas, representam sempre uma alegria bem gostosa de experimentar. Por isso, faça surpresas. Seja a alegria de um sábado qualquer da vida para as pessoas que estão com você. Faça coisas inesperadas: "hoje, nós vamos jantar fora"; "Amanhã pessoal não vamos a igreja, vamos à praia"; "ninguém acorda cedo pra fazer café, vamos tomar café na padaria". Dar-se em favor da alegria do outro facilitará o encontro, a intimidade e a experiência.
O que está faltando nas famílias ainda para se estabelecer um encontro completo?
3º CONTEXTUALIZAÇÃO.
Olhar o mundo do mais moço à luz do mundo do jovem de 50 anos atrás é um suicídio relacional. Não dá para se desenvolver proximidade dizendo ao jovem que ele tem que falar, se vestir, pensar, andar como andava seu avó quando era jovem. Os tempos mudam e graças a Deus por isso. A proximidade se dá pela disposição de conhecer o mundo do mais jovem, saber seus anseios e dilemas. Não se interessar, ou pelo menos conhecer, aquilo que tira a atenção do filho adolescente é não dar importância a ele. Para o adolescente, gostar dele é se interessar pelo que ele gosta e a contextualização ajuda nesse ideal.
A contextualização não é algo ruim para ninguém, o problema é que tira muita gente da zona de conforto. A pior situação é aquela que nada consegue nos impulsionar à frente. Em nossos relacionamentos, precisamos demonstrar o quanto queremos e amamos o outro dando importância ao que ele faz e/ou gosta. Mesmo que nossa geração tenha sido outra e nossa criação tenha sido bem distinta, quando estamos sob o mesmo teto a coisa muda.
A vida requer de nós muitas coisas. Contextualizar-se é aprender coisa nova, é conhecer coisas diferentes, é tratar com diversas pessoas de igual para igual. Se faltar a contextualização, ficará comprometido o encontro, não será completo, não será saudável, não será acompanhado de intimidade e experiência. Viver experiências com minha família requer de mim conhecimento e interesse pelo outro e pelo que ele faz.
Enquanto faltar administração do tempo, interesse pela alegria do outro e contextualização veremos crescer a cada dia índices de relacionamentos incompletos, frios e sem animosidade. Enfim, vivemos muitos encontros em nossa vida, poucos nos arrebatam, poucos nos levam a vivências de intimidade. Mortes, adultérios, fornicações, mentiras, furtos serão números cada vez menores se não faltar encontro, intimidade e experiência.
"Eu te amo...não diz tudo!" (Arnaldo Jabor)
Paz e Bem!
Pr. Diego Nunes de Araujo
01/2013

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