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quarta-feira, 16 de julho de 2014

QUEBRANDO PARADIGMAS (I)

Muito se fala de quebra de paradigmas, no entanto, de tudo o que já li, em sua grande maioria, não atingiu o que penso ou o que quero tratar aqui como quebra de paradigmas.

O que desejo abordar está no âmbito da teologia ou das teologias que vemos hoje. Os paradigmas de sucesso que vemos hoje foram construídos historicamente, talvez seja por isso seu alcance, sustentação e repetição.

O primeiro paradigma que desejo abordar é a atenção que damos ao pecado original, o pecado do primeiro casal (Gênesis 3). Quando fala dessa atenção, digo pelo fato de que a tradição dá muito mais atenção ao primeiro pecado do que propriamente dito à criação do homem. A Bíblia não começa com o pecado, mas sim, com a Criação. Quando não damos a devida atenção à criação, enfraquecemos em nossa compreensão do homem que é imagem e semelhança de Deus.
O homem é criação de Deus e possui Sua imagem, e nada, absolutamente nada, pode retirar isso. A nossa teologia precisa ser permeada pela compreensão de que o grande arquiteto do homem é o Senhor, o nosso Deus. O grande paradigma a vencermos é o de que a Bíblia começa com o homem sendo criado e não com o homem pecando. Deus criou o homem. Formou o homem. E ofereceu ao homem o jardim. Não podemos sustentar o paradigma que enfraquece nossa percepção de ser humano.

O segundo grande paradigma é o do dia, do anjo e o da casa do Senhor. Interessante que nossa teologia hoje ainda sustenta a ideia de uma espiritualidade vencida pelo próprio Cristo. O ensino dessa teologia é o domingo é o dia do Senhor; que o pastor é o anjo do Senhor e que o templo é a casa do Senhor. Eis o outro paradigma a superarmos. O Novo Testamento vai dizer que “somos a geração eleita, o sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, para que anuncieis as grandezas daquele que vos chamou das trevas para sua maravilhosa luz” (2 Pedro 2, 9).

A estrutura religiosa vetero testamentária está superada pela obra do Cristo na Cruz que convida a todos, a serem governados por Ele a fim de que o mundo seja plenamente habitável num ambiente que facilite o governo do Reino de Deus. Jesus possibilita que eu e você vençamos a agenda da religiosidade, onde Nele podemos tornar todos os dias, o dia do Senhor; podemos nos considerar todos, os “anjos” do Senhor; e não precisamos da casa do Senhor para cultuá-lo, porque todos somos, a partir de Jesus, a casa do Senhor, comprada por preço de Sangue.

O terceiro paradigma a pensarmos é o de acharmos que o homem é um ser compartimentalizado. Precisamos vencer esse paradigma platônico que impera na nossa teologia cristã. O pensamento mais veiculado em nossos púlpitos ocupados por pregadores mais conservadores dividem o homem em corpo, alma e espírito. Isso não é possível. A imortalidade da alma, por exemplo, é um conceito grego e não cristão; piorando a situação, torna-se até um conceito espírita kardecista. Paulo, apóstolo, prega sobre a ressurreição do corpo, do ser humano de forma holística (1 Coríntios 15: 1-58). O Gênesis vai dizer que o Senhor fez o boneco e depois soprou nas suas narinas e ele se tornou: “alma vivente”. O Pr. Ed René, vai dizer que “o corpo sem alma é defunto; e a alma sem corpo é fantasma”.

O ser humano é integral e não pode ser departamentalizado, mas caso ele seja, o paradigma continuará sendo sustentado. A palavra central do evangelho é integral. É o ser humano completo e pleno, por isso Jesus nas palavras do Evangelista João oferece vida plena, vida abundante. O grande nome para quebrar os paradigmas chama-se Jesus, o Cristo. Ele se tornou a maior expressão da superação da religião como judeu que era.
Como seguidor e servo do Reino de Deus desejo oferecer minha vida para que a partir de Jesus possamos apresentar às pessoas não um outra religião diante de tantas que já temos, contudo, anunciar Jesus com tudo o que fazemos, entendendo que todo dia é dia do Senhor, que todas as pessoas são pessoas criadas pelo Senhor e que mundo precisa ser habitável a partir do governo do Reino de Deus. Para isso, precisamos quebrar os paradigmas que limitam a nossa visão de evangelho, de ser humano, de teologia e de reino de Deus.

Que Deus nos ajude nessa empreitada!


Paz e Bem!

Diego Nunes de Araujo, Pr
07/2014

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