+ INTENS(C)IDADE E - RELIGIOS(C)IDADE
A ideia aqui é refletir sobre a atuação da igreja na sociedade. Lembrando que quanto mais religios(c)idade, menos intens(c)idade. A igreja é a esperança da sociedade.
Quero lembrar dois exemplos apenas de personagens intensos na história, que marcaram seu tempo de maneira positiva.
O primeiro é Mahatma Ghandi. Este foi a personalidade principal para a indenpencia da Índia. Seu no me significa “grande alma”. Estudou direito em Londres e em 1891 volta para a Índia praticar a advocacia. Dois anos depois vai para África do Sul, também colônia britânica, onde começa um movimento que era a luta pelos direitos dos hindus. Dois anos após esse começo volta para a Índia em 1914 e começa lá esse movimento cujo método principal era a resistência passiva. Nega a colcaboração com o domínio britânico e prega a não-violência como forma de luta. É detido por organizar uma greve em 1922 e é preso, mas sai em 1924 da prisão. Em 1930 organiza a marcha para o mar quando muilhares de pessoas andam mais de 320 km a pe a fim de protestar contra os abusivos impostos britânicos sobre o sal. Em 1947 é proclamada a independência da Índia, mas, em 1948 é assassinado. O importante é que ele foi INTENSO em seus ideiais!
O segundo exemplo para nós é o Pr Martin Luther King Jr. Nascido em Atlanta no dia 15 de janeiro de 1929. Morreu em 1968 com 39 anos de idade. Era pastor batista e ativista político. Considerado um dos homens mais imoportantes na luta dos direitos civis através de uma campanha de não-violência e de amor ao próximo. Devido a sua ação relevante e intensa no mundo foi a pessoa mais jovems a receber o Prêmio Nobel da Paz em 1964. Sua luta era sobretudo contra a discriminação racial. Em 1963, um ano antes de ganhar o seu prêmio, no mês de março em frente ao Memorial Lincoln em Wasghington durante sua marcha pelo emprego e pela liberdade, proferiu um discurso chamado “Eu tenho um sonho”, que desejo compartilhar parte com vocês:
“Eu digo a você hoje, meus amigos, que embora nós enfrentemos as dificuldade de hoje e amanhã. Eu ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano. Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará o significado verdadeiro de sua crença – nós celebramos estas verdades e elas serão clara a todos, que os homens são criados iguais.
Eu tenho um sonho que um dia nas colinas vermelhas da Geórgia, os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos descendentes dos donos de escravos poderão se sentar junto à mesa da fraternidade.
Eu tenho um sonho que um dia, até mesmo no estado do Mississipi, um estado que transpira com o calor da injustiça, que transpira com o calor da opressão, será transformado em um oásis de liberdade e justiça.
Eu tenho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. Eu tenho um sonho hoje!
Eu tenho um sonho que um dia, no Alabama, com seus racistas malignos, com seu governador que tem os lábios gotejando palavras de intervenção e negação; nesse justo dia no Alabama meninos negros e meninas negras poderão unir as mãos com meninos e meninas brancas como irmãos e irmãs. Eu tenho um sonho hoje!
O Pr. Martin foi assassinado em 4 de abril de 1968 por um segregracionista do Sul chamado Earl James Ray. Um exemplo de alguém intenso em seus ideais que acreditou em seus sonhos!
Os exemplos acima são de pessoas como eu e você, mas que lutaram pela dignidade, igualdade e direitos das pessoas. Não lutaram pra saber qual denominação é mais poderosa, qual igreja opera mais curas e maravilhas, qual doutrina é mais carreta. Homens mais intensos do que religiosos.
Para sermos mais intensos e menos religiosos, precisamos:
1- Levar Cristo às pessoas e não pessoas a Cristo (Mateus 5, 13-16)
A diferença está em que quando levo Cristo às pessoas não dependo de alguém ou uma instituição para fazê-lo. Significa não limitar-se a campanhas de mobilização missionárias. A igreja de Jesus está aqui e neste local precisa ser Jesus para as pessoas.
Levar Jesus é ouvir a pessoa a fim de que saibamos o que falta nela para ter a sua dignidade restaurada. Talvez falte o pão. Talvez falte oportunidades. Talvez falte o mínimo necessário. Talvez tenha faltado educação, ensino. Talvez tenha faltado isso tudo porque faltou uma família estruturada.
A juventude precisa se envolver com a missio dei no mundo. Precisa integrar-se à missão integral de Jesus. O Papa Bento XVI disse à juventude em 2007 no Estádio Pacaembu:“Vós, jovens, não sois apenas o futuro da Igreja e da humanidade, como uma espécie de fuga do presente. Pelo contrário: vós sois o presente jovem da Igreja e da humanidade. Sois seu rosto jovem. A Igreja precisa de vós, como jovens, para manifestar ao mundo o rosto de Jesus Cristo, que se desenha na comunidade cristã. Sem o rosto jovem, a Igreja se apresenta desfigurada” É preciso ser o sal e a luz que todos necessitam, mas com intensidade!
2- Aproximar de quem está perto, para nos tornarmos próximos (Lucas 10, 33-35).
Há muitos que amam todo mundo, mas que não amam o próximo. Interessante é que muita gente ama o mundo todo, todavia, não ama o Pai, a mãe, a sogra e etc. Jesus Cristo nos propõe o “eu-com-o-outro”, o encontro. Os religiosos nada fizeram nessa parábola de Jesus.
O bom samaritano venceu a barreira da diferença, da agenda, do compromisso, enfim, ele foi intenso. Ao olhar o caído de perto, ele se fez próximo. Muitos querem amar virtualmente, mas isso não é saudável. Virtual é para quem não gosta do combate de gênios, do encontro com o diferente e para quem deseja relacionamentos descartáveis.
O bom samaritano foi intenso e nada religioso, nada superficial, nada falso, nada frio, nada fraco, nada mais ou menos, nada de “faz de contas”, nada de “farinha pouca, meu pirão primeiro”. O bom samaritano representou Jesus. E nós? René Padilla vai dizer:“O Kerygma é inseparável tanto da Diakonia como da Koinonia”.
3- Inverter nossa agenda de prioridades (Mateus 22, 37-39).
A igreja evangélica se tornou um lugar de vida para dentro de si mesma. Há mais programa do que relacionamentos. Há mais organizações do que qualquer outra coisa. É muita diretoria e pouca justiça. É muita reunião e pouca resolução. É muito planejamento em torno de si. É preciso intensidade, mas para os outros. Relevante para os outros!
Nesse particular René Padilla acrescenta: “Creio que o que falta são, em poucas palavras, pessoas cuja vida pessoal e comunitária estejam genuinamente orientadas para o reino de Deus e sua justiça”. O maior investimento da igreja precisa ser em gente, porque assim transformamos a Cidade. Assim protejemos nossa família. Melhoramos as pessoas. Oferecemos oprtunidades dignas a quem se interessar. Mudamos a realidade e o mundo por consequência!
O início de uma agenda intensa para a igreja talvez seja uma inversão no seu planejamento financeiro. Mais cursos. Mais oportunidades. Mais serviço. Mais a “vara para pescar”. Mais pão. Mais vida. Mais libertação. Mais dignidade. Mais amor. Mais fervor. Mais realidade. Mais orientação. Mais sabedoria. Mais ação social relevante. Mais misericórdia. Mais graça. Mais engajamento. Mais evangelho. Mais missão. Mais Jesus. Mais intens(c)idade!
Qual tem sido sua participação na sociedade? Quem é você dentro do projeto intenso de oferecer justiça, oportunidades igualitárias e paz ao maior número de pessoas possível? Seja intenso!
Paz e bem!
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