SOBRE SER "PURO DE CORAÇÃO E A VIRTUDE DA ÉTICA SILENCIOSA
Jesus falou claramente, à luz dos Evangelhos escritos, sobre o ser "puro de coração". Como Judeu que era também conhecia o conceito de pureza da tradição religiosa judaica, presente, inclusive, no livro de Levíticos conhecido como "O Código Sagrado".
Este código citado tratava de leis e diretrizes a fim de que o povo de Israel se mantivesse puro, e não se contaminasse, mantendo -se "sagrado" aos olhos de Deus. É perceptível essa orientação em Levítico 18, 3. Aqui, as orientações de pureza tem profundo sentido de costumes religiosos específicos do mundo judaico.
Mas, e Jesus, o que fala sobre ser puro de coração? Geralmente, a nossa tendência é limitar a expressão achando que o assunto tem haver com sexo, ou, pensamentos a esse respeito.O foco primário do mestre é a interioridade, a transformação do homem mau em alguém redimido em suas ações. A pureza aqui não tem o sentido do Levítico, o assunto é mais amplo e ao mesmo tempo mais prático, visando o bem sobre todas as coisas.
Ao que me parece, a questão aqui, como iniciei dizendo acima, não é religiosa, ou, de aparência de religiosidade, por isso mesmo, ele criticou o jejum á vista de todos, a oração pública para que todos notem, as grandes ofertas para impressionar as pessoas e etc. O evangelista nos conta sobre isso em Mateus 6, 1, 6. As práticas religiosas nada nos dizem sobre este grande caminho de transformação pessoal, mas de um urgente rompimento com o "modus operandi" dos religiosos ao alcance do ensino de Jesus.
A beleza para Jesus estava no coração, ou seja, no ato que vem do interior, da atitude silenciosa, da ética do amor ao próximo sem ser visto pelas multidões. Talvez por isso tenha dito: "Não saiba uma mão o que fez a outra..". Pureza é a revolução que começa de dentro e alcança o semelhante, e nada aponta para rituais cerimoniais.
Em suma, o ser "puro de coração" não combina com querer aplausos pelo bem que se faz, não combina com a lógica de causa/efeito, a grosso modo. Querer recompensa divina pelo que se faz tem mais haver com religiosidade comercial do que com a ética do evangelho do Jesus de Nazaré.
Paz e bem,
Diego Nunes de Araujo
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