METAFÍSICA - Que é isso?
Um esboço sobre o tema
As indagações metafísicas
A autora Marilena Chauí, começa sua discussão sobre metafísica, dizendo que o debate sobre o assunto gira em torno da pergunta: “O que é?”. E esta possui dois sentidos:
a primeira significa “existe”, de modo que a pergunta pode ser transcrita como: “O que existe?”
a segunda significa “a natureza de alguma coisa”, de modo que a pergunta seria: “Qual é a essência daquilo que existe?”
Existência e essência da realidade em seus vários aspectos são os principais temas da metafísica, investigando as causas, os princípios para todas as coisas.
A história da metafísica e
suas características a cada fase.
A história da metafísica pode ser dividida em três grandes períodos ou momentos:
período que vai de Platão e Aristóteles(séc. IV e III a.C.) até David Hume (séc. XVIII d.C.);
período que vai de kant(séc. XVIII) até a fenomenologia de Husserl(séc. XX);
metafísica ou ontologia contemporânea, a partir dos anos 20 do século XX.
Esse primeiro período da metafísica termina quando Hume explica que os conceitos da metafísica não correspondem a nada de exterior, mas sim conceitos atribuídos pela nossa própria razão.
O segundo período tem sua tese em Kant, que demonstra a impossibilidade da metafísica
tradicional conhecer a realidade das coisas em si. A realidade torna-se para nós, pois somos o sujeito do conhecimento.
A metafísica contemporânea é conhecida como ontologia, superando tanto a metafísica tradicional como a de Kant. Suas características são:
investigação dos diferentes modos de como os seres ou entes existem;
investigação da essência ou o sentido desses entes/seres;
investigação entre existência e essência, e de como eles aparecem para nossa consciência;
discrição das estruturas do mundo e do nosso pensamento.
O nascimento da metafísica
Estudamos até o presente momento, diz a autora, a figura do sujeito do conhecimento. Agora vamos estudar o objeto do conhecimento.
Os gregos acreditavam que possuíam a existência da realidade e que ela poderia ser conhecida verdadeiramente pela razão ou pensamento.
Metafísica ou ontologia?
A palavra metafísica não foi empregada pelos filósofos gregos. Ela foi usada por Andrônico de Rodes em 50 a.C. Na execução de recolher e classificar as obras de Aristóteles.
Este organizador dos textos indicava um escrito que, em sua classificação, localizavam-se depois dos tratados de físicos, ficando então conhecidos de metafísica, isto é, “meta” depois, acima de e etc.
A palavra ontologia diria qual é o assunto da filosofia primeira, por outro lado a outra, a outra palavra diria apenas qual é o lugar dos livros da filosofia primeira nas obras de Aristóteles.
O surgimento da ontologia: Parmênides de Eléia.
A cosmologia se preocupava com o mundo que vivemos, ocupava-se com a natureza como um cosmo ou ordem regular de aparecimento das coisas. A cosmologia se preocupava em buscar uma explicação para o devir, para a mudança das coisas, para a mudança das coisas, de como também uma coisa deixa de ser uma coisa e passa ser outra coisa.
A cosmologia dedicava-se à multiplicidade dos seres, à mudança deles e às oposições entre eles, diz chauí.
Parmênides tornou a cosmologia impossível, ao afirmar que o pensamento verdadeiro exige a identidade, a não-transformação, a não-contradição do Ser. O Ser não pode mudar pois se ele mudar deixará de ser o Ser, entrará em contradição. O Ser não muda, se mudar se tornará o não-Ser. Ele mostra com isso, que o Ser é uno e único.
O pensamento de Parmênides era entre a diferença entre pensar e perceber. Percebemos a natureza na multiplicidade e na mutabilidade das coisas. Perceber é ver aparências; e pensar é contemplar o tò on, o Ser.
Platão e o mundo das essências
Platão se dedicou em suas obras à resolução do problema filosófico criado entre o pensamento de Heráclito de Éfeso, e o de Parmênides de Eléia.
O filósofo considerou que Heráclito tinha razão no que se refere ao mundo material e sensível mundo das imagens e das opiniões. Explicando, diz Platão, que a matéria é por essência e por natureza, algo imperfeito, que não consegue manter a identidade das coisas.
Por outro lado, e por esse motivo, ele relata que Parmênides também está certo, ao exigir que a filosofia deva abandonar esse mundo sensível e ocupar-se com o mundo verdadeiro, invisível aos sentidos e visível apenas ao pensamento. O verdadeiro é o Ser, uno, imutável, idêntico a si mesmo, eterno...
Em suma, a ontologia platônica, introduz uma divisão no mundo, afirmando a existência de dois mundos separados e diferentes: o mundo sensível e o mundo das idéias. Explicando, o primeiro é o mundo das coisas. O segundo é o mundo das idéias como falamos, o mundo das essências verdadeiras. É o mundo do SER, e o mundo sensível, que o primeiro na divisão de Platão, é o mundo do Não-SER. No mito da caverna resumimos: o mundo sensível das coisas é a sombra do mundo das idéias, das essências.
Em resumo, a ontologia é o próprio conhecimento do ser, ou seja, é a transformação das opiniões sobre as coisas sensíveis mutáveis, em coisas cuja as essências, são imutáveis. É passar da aparência ao real, do Não-ser ao Ser, diz Marilena Chaui.
“A tarefa da ontologia é o conhecimento do ser dos entes e a explicação do próprio ser” (Heidegger, M. Ser e tempo, § 7).
CHAUI, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: editora ática, 2005. p. 180-188.
Diego Nunes de Araujo.
22/05/2008
As indagações metafísicas
A autora Marilena Chauí, começa sua discussão sobre metafísica, dizendo que o debate sobre o assunto gira em torno da pergunta: “O que é?”. E esta possui dois sentidos:
a primeira significa “existe”, de modo que a pergunta pode ser transcrita como: “O que existe?”
a segunda significa “a natureza de alguma coisa”, de modo que a pergunta seria: “Qual é a essência daquilo que existe?”
Existência e essência da realidade em seus vários aspectos são os principais temas da metafísica, investigando as causas, os princípios para todas as coisas.
A história da metafísica e
suas características a cada fase.
A história da metafísica pode ser dividida em três grandes períodos ou momentos:
período que vai de Platão e Aristóteles(séc. IV e III a.C.) até David Hume (séc. XVIII d.C.);
período que vai de kant(séc. XVIII) até a fenomenologia de Husserl(séc. XX);
metafísica ou ontologia contemporânea, a partir dos anos 20 do século XX.
Esse primeiro período da metafísica termina quando Hume explica que os conceitos da metafísica não correspondem a nada de exterior, mas sim conceitos atribuídos pela nossa própria razão.
O segundo período tem sua tese em Kant, que demonstra a impossibilidade da metafísica
tradicional conhecer a realidade das coisas em si. A realidade torna-se para nós, pois somos o sujeito do conhecimento.
A metafísica contemporânea é conhecida como ontologia, superando tanto a metafísica tradicional como a de Kant. Suas características são:
investigação dos diferentes modos de como os seres ou entes existem;
investigação da essência ou o sentido desses entes/seres;
investigação entre existência e essência, e de como eles aparecem para nossa consciência;
discrição das estruturas do mundo e do nosso pensamento.
O nascimento da metafísica
Estudamos até o presente momento, diz a autora, a figura do sujeito do conhecimento. Agora vamos estudar o objeto do conhecimento.
Os gregos acreditavam que possuíam a existência da realidade e que ela poderia ser conhecida verdadeiramente pela razão ou pensamento.
Metafísica ou ontologia?
A palavra metafísica não foi empregada pelos filósofos gregos. Ela foi usada por Andrônico de Rodes em 50 a.C. Na execução de recolher e classificar as obras de Aristóteles.
Este organizador dos textos indicava um escrito que, em sua classificação, localizavam-se depois dos tratados de físicos, ficando então conhecidos de metafísica, isto é, “meta” depois, acima de e etc.
A palavra ontologia diria qual é o assunto da filosofia primeira, por outro lado a outra, a outra palavra diria apenas qual é o lugar dos livros da filosofia primeira nas obras de Aristóteles.
O surgimento da ontologia: Parmênides de Eléia.
A cosmologia se preocupava com o mundo que vivemos, ocupava-se com a natureza como um cosmo ou ordem regular de aparecimento das coisas. A cosmologia se preocupava em buscar uma explicação para o devir, para a mudança das coisas, para a mudança das coisas, de como também uma coisa deixa de ser uma coisa e passa ser outra coisa.
A cosmologia dedicava-se à multiplicidade dos seres, à mudança deles e às oposições entre eles, diz chauí.
Parmênides tornou a cosmologia impossível, ao afirmar que o pensamento verdadeiro exige a identidade, a não-transformação, a não-contradição do Ser. O Ser não pode mudar pois se ele mudar deixará de ser o Ser, entrará em contradição. O Ser não muda, se mudar se tornará o não-Ser. Ele mostra com isso, que o Ser é uno e único.
O pensamento de Parmênides era entre a diferença entre pensar e perceber. Percebemos a natureza na multiplicidade e na mutabilidade das coisas. Perceber é ver aparências; e pensar é contemplar o tò on, o Ser.
Platão e o mundo das essências
Platão se dedicou em suas obras à resolução do problema filosófico criado entre o pensamento de Heráclito de Éfeso, e o de Parmênides de Eléia.
O filósofo considerou que Heráclito tinha razão no que se refere ao mundo material e sensível mundo das imagens e das opiniões. Explicando, diz Platão, que a matéria é por essência e por natureza, algo imperfeito, que não consegue manter a identidade das coisas.
Por outro lado, e por esse motivo, ele relata que Parmênides também está certo, ao exigir que a filosofia deva abandonar esse mundo sensível e ocupar-se com o mundo verdadeiro, invisível aos sentidos e visível apenas ao pensamento. O verdadeiro é o Ser, uno, imutável, idêntico a si mesmo, eterno...
Em suma, a ontologia platônica, introduz uma divisão no mundo, afirmando a existência de dois mundos separados e diferentes: o mundo sensível e o mundo das idéias. Explicando, o primeiro é o mundo das coisas. O segundo é o mundo das idéias como falamos, o mundo das essências verdadeiras. É o mundo do SER, e o mundo sensível, que o primeiro na divisão de Platão, é o mundo do Não-SER. No mito da caverna resumimos: o mundo sensível das coisas é a sombra do mundo das idéias, das essências.
Em resumo, a ontologia é o próprio conhecimento do ser, ou seja, é a transformação das opiniões sobre as coisas sensíveis mutáveis, em coisas cuja as essências, são imutáveis. É passar da aparência ao real, do Não-ser ao Ser, diz Marilena Chaui.
“A tarefa da ontologia é o conhecimento do ser dos entes e a explicação do próprio ser” (Heidegger, M. Ser e tempo, § 7).
CHAUI, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: editora ática, 2005. p. 180-188.
Diego Nunes de Araujo.
22/05/2008
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