CARNAVAL - a festa da carne?
Que festa tão esperada para muitos?! Para outros nem tanto a festa, mas os dias em que ficarão em descanso das labutas e dos estudos do dia a dia. Uma festa onde muitos se preparam financeiramente para pagar aquela viagem, ou aquela casa alugada apenas para o período do feriado; outros descobrem casa de uma amigo do amigo do primo de terceiro grau que não via a três anos. Essas e tantas outras soluções são dadas para curtir a festa tão esperada. Percebo, portanto, que o carnaval é desejado por todos e todas. Mas, o que significa a palavra carnaval?
Na tentativa de responder a questão acima, o carnaval, segundo o dicionário Silveira Bueno, seria os três dias de folia que precedem a quarta-feira de Cinzas. Antigamente era chamado de entrudo, e esta expressão, segundo o Dicionário Ilustrado Urupês, é aquela ou são aquelas pessoas que se vestem ridiculamente.
Tradicionalmente, o conceito que se tem de carnaval, principalmente pelo pensamento cristão evangélico, é que esta festa é demoníaca, das trevas, lugar de pecados e de destruição espiritual total. Este conceito permeia em todas as pessoas que tiveram um criação tradicional e principalmente cristã.
É bem verdade que neste período de folia, digamos assim, as pessoas despertam seus instintos que por sua vez parecem ser nocivos à condição humana em sociedade – no âmbito social. Não podemos por outra lado também dizer que nós repudiamos qualquer tipo de festa, pois somos filhos de uma cultura de festas, que gostou e gosta de estar em comunidade ao som de alguma música ou coisa do tipo.
Quando marcamos nosso casamento no religioso e/ou civil, nós não nos limitamos apenas àquela cerimônia religiosa e/ou civil, queremos compartilhar com nossos parentes e amigos este grande acontecimento em nossas vidas. Preparamos, portanto, nossa festa, com uma mesa de comidas e doces, refrigerantes e por fim, o som do ambiente. Festa sem o som, não é festa. Festa sem danças, não é festa. Festa só é festa quando há brincadeiras, descontrações, piadas, risos altos, “pagação de mico” como diz a garotada, em suma.
Quando uma linda menina se prepara para entrar na juventude, isto é, completar seus 15 inesquecíveis anos, ela prepara a lista de seus queridos parentes, que geralmente são seus pais que fazem, mas alegremente ele dispõem-se a relatar um por um de seus amigos mais chegados para este tão magnífico e esperado dia. Muitas músicas serão tocadas, danças acontecerão, seu príncipe encantado, seus amigos na platéia, seus pais colocando seu anel de brilhantes no dedo... . Tudo isso são os sonhos da linda debutante, noites antes e próximas da sua festa, ela vai idealizando tudo como vai acontecer.
O carnaval não seria neste sentido de festas, a mesma coisa. Nossa cultura brasileira fomentou durante muitos anos esse acontecimento. Dias que deslocam milhares de pessoa a virem de seus países e casas para o Rio de Janeiro, São Paulo, Recife e outros pontos fortes no carnaval.
Uma festa onde as Escolas de Samba apresentam seus trabalhos de arte impressionantes, seus cortes e costuras, seus enredos contextualizados, isto é, históricos que na maioria das vezes explicam e apontam traços de nossa nação e formação. O que importa é que são Escolas de Samba que apresentam com amor e dedicação suas produções e reproduções acerca de nossa cultura. Não me importa se a confissão religiosa daquela Escola de Samba “A” é diferente da minha, se possuem ideais imorais, a saber – pela ótica da minha confissão religiosa; não me importa se a Escola de Samba “B” tem um presidente Kardecista, Umbandista, Católico, Budista, Evangélico e /ou qualquer outra religião, ou que seja até ateu. O que deve fazer a diferença é que são pessoas que apresentando seus ensaios que durante uma ano construíram.
Se o carnaval é lugar para traição, adultérios, relação sexual ilícita, chingamentos, irresponsabilidades no trânsito, consumos exagerados de bebidas alcoólicas, fumos, drogas, matanças, e qualquer outro fazer humano neste sentido; o problema não é o carnaval, o problema não a festa, o feriado, os dias de descanso, a problemática está nas pessoas que não sabem divertir-se sem provocar males, incômodos e ações desumanas que só provocam o mal individual, pessoal e principalmente social.
Nietzsche, um filósofo do século XIX, salientou que o homem deve se sobrepor às fraquezas, se sobrepor àquilo que a moral cristã chamou de pecado, de errado, de imoral: os instintos, os impulsos, as vontades humanas. Neste contexto de carnaval, o filósofo anti-moralista estaria equivocado, na sua época talvez a falta de humanidade não fosse tão aflorada e vigente, todavia, agir pelos instintos como prega Nietzsche fosse de uma maneira ou de outra, uma filosofia anti-social, anti-festa, pois os instintos não podem ser alimentados, onde o ambiente e os elementos do mesmo contribuem para uma não edificação dos que estão curtindo um bem comum a todos que ali estão.
Carnaval , uma festa de apresentação artística de elementos da nossa história e cultura. Uma lembrança do passado através da arte para ajudarmos a entender o nosso presente e a nos mostrar a direção que podemos ou não, tomar no futuro. Carnaval, uma festa de liberação dos instintos, uma festa da carne, só o é devido às ações dos homens irresponsáveis que agem não de maneira inconsciente, como muitos de defendem; mas, todavia, agem muito conscientes, sabedores do que estão fazendo mas que não possuem amor comum ao próximo que se coloca na mesma condição de expectador desta grande celebração da cultura brasileira.
Uma Festa de 15 anos, um Casamento, uma Bodas de Ouro, pode se tornar em um carnaval, onde os impulsos humanos assoberbam-se e tornam-se o prato comido por alguns naquele ambiente social. Não damos uma Festa, somente com uma cerimônia, queremos também a parte da música, das comidas, das bebidas, das danças, enfim, nesta hora o carnaval também pode acontecer, e só no outro dia(quarta-feira de Cinzas), vamos reconhecer aonde erramos, aonde falhamos, aonde podíamos fazer diferente.
Carnaval – uma festa da Carne? Depende dos homens! Para mim, é a Festa do Descanso!
Diego Nunes de Araujo
24/02/2009
Na tentativa de responder a questão acima, o carnaval, segundo o dicionário Silveira Bueno, seria os três dias de folia que precedem a quarta-feira de Cinzas. Antigamente era chamado de entrudo, e esta expressão, segundo o Dicionário Ilustrado Urupês, é aquela ou são aquelas pessoas que se vestem ridiculamente.
Tradicionalmente, o conceito que se tem de carnaval, principalmente pelo pensamento cristão evangélico, é que esta festa é demoníaca, das trevas, lugar de pecados e de destruição espiritual total. Este conceito permeia em todas as pessoas que tiveram um criação tradicional e principalmente cristã.
É bem verdade que neste período de folia, digamos assim, as pessoas despertam seus instintos que por sua vez parecem ser nocivos à condição humana em sociedade – no âmbito social. Não podemos por outra lado também dizer que nós repudiamos qualquer tipo de festa, pois somos filhos de uma cultura de festas, que gostou e gosta de estar em comunidade ao som de alguma música ou coisa do tipo.
Quando marcamos nosso casamento no religioso e/ou civil, nós não nos limitamos apenas àquela cerimônia religiosa e/ou civil, queremos compartilhar com nossos parentes e amigos este grande acontecimento em nossas vidas. Preparamos, portanto, nossa festa, com uma mesa de comidas e doces, refrigerantes e por fim, o som do ambiente. Festa sem o som, não é festa. Festa sem danças, não é festa. Festa só é festa quando há brincadeiras, descontrações, piadas, risos altos, “pagação de mico” como diz a garotada, em suma.
Quando uma linda menina se prepara para entrar na juventude, isto é, completar seus 15 inesquecíveis anos, ela prepara a lista de seus queridos parentes, que geralmente são seus pais que fazem, mas alegremente ele dispõem-se a relatar um por um de seus amigos mais chegados para este tão magnífico e esperado dia. Muitas músicas serão tocadas, danças acontecerão, seu príncipe encantado, seus amigos na platéia, seus pais colocando seu anel de brilhantes no dedo... . Tudo isso são os sonhos da linda debutante, noites antes e próximas da sua festa, ela vai idealizando tudo como vai acontecer.
O carnaval não seria neste sentido de festas, a mesma coisa. Nossa cultura brasileira fomentou durante muitos anos esse acontecimento. Dias que deslocam milhares de pessoa a virem de seus países e casas para o Rio de Janeiro, São Paulo, Recife e outros pontos fortes no carnaval.
Uma festa onde as Escolas de Samba apresentam seus trabalhos de arte impressionantes, seus cortes e costuras, seus enredos contextualizados, isto é, históricos que na maioria das vezes explicam e apontam traços de nossa nação e formação. O que importa é que são Escolas de Samba que apresentam com amor e dedicação suas produções e reproduções acerca de nossa cultura. Não me importa se a confissão religiosa daquela Escola de Samba “A” é diferente da minha, se possuem ideais imorais, a saber – pela ótica da minha confissão religiosa; não me importa se a Escola de Samba “B” tem um presidente Kardecista, Umbandista, Católico, Budista, Evangélico e /ou qualquer outra religião, ou que seja até ateu. O que deve fazer a diferença é que são pessoas que apresentando seus ensaios que durante uma ano construíram.
Se o carnaval é lugar para traição, adultérios, relação sexual ilícita, chingamentos, irresponsabilidades no trânsito, consumos exagerados de bebidas alcoólicas, fumos, drogas, matanças, e qualquer outro fazer humano neste sentido; o problema não é o carnaval, o problema não a festa, o feriado, os dias de descanso, a problemática está nas pessoas que não sabem divertir-se sem provocar males, incômodos e ações desumanas que só provocam o mal individual, pessoal e principalmente social.
Nietzsche, um filósofo do século XIX, salientou que o homem deve se sobrepor às fraquezas, se sobrepor àquilo que a moral cristã chamou de pecado, de errado, de imoral: os instintos, os impulsos, as vontades humanas. Neste contexto de carnaval, o filósofo anti-moralista estaria equivocado, na sua época talvez a falta de humanidade não fosse tão aflorada e vigente, todavia, agir pelos instintos como prega Nietzsche fosse de uma maneira ou de outra, uma filosofia anti-social, anti-festa, pois os instintos não podem ser alimentados, onde o ambiente e os elementos do mesmo contribuem para uma não edificação dos que estão curtindo um bem comum a todos que ali estão.
Carnaval , uma festa de apresentação artística de elementos da nossa história e cultura. Uma lembrança do passado através da arte para ajudarmos a entender o nosso presente e a nos mostrar a direção que podemos ou não, tomar no futuro. Carnaval, uma festa de liberação dos instintos, uma festa da carne, só o é devido às ações dos homens irresponsáveis que agem não de maneira inconsciente, como muitos de defendem; mas, todavia, agem muito conscientes, sabedores do que estão fazendo mas que não possuem amor comum ao próximo que se coloca na mesma condição de expectador desta grande celebração da cultura brasileira.
Uma Festa de 15 anos, um Casamento, uma Bodas de Ouro, pode se tornar em um carnaval, onde os impulsos humanos assoberbam-se e tornam-se o prato comido por alguns naquele ambiente social. Não damos uma Festa, somente com uma cerimônia, queremos também a parte da música, das comidas, das bebidas, das danças, enfim, nesta hora o carnaval também pode acontecer, e só no outro dia(quarta-feira de Cinzas), vamos reconhecer aonde erramos, aonde falhamos, aonde podíamos fazer diferente.
Carnaval – uma festa da Carne? Depende dos homens! Para mim, é a Festa do Descanso!
Diego Nunes de Araujo
24/02/2009
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