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sábado, 2 de janeiro de 2010

TEOLOGIA DA TRAGÉDIA



Alguém pode perguntar: "Como acreditar em Deus com tantas tragédias acontecendo?"; "Se Deus ama a todos os homens, porque ele permite desastres naturais como esse de Angra dos Reis?"; "Como Deus permite alguém ser soterrado por conseqüência da sua própria chuva?"

Particularmente confesso que essas perguntas não são fáceis de responder, no entanto, o fato que está em discussão é que cada ser humano lia com a vida, a morte, Deus, o próximo, a natureza de maneira distinta, pois cada ser humano possui uma visão de mundo.

Entendendo essa particularidade, isto é, essa singularidade de cada homem e mulher existentes, podemos abordar uma explicação para os fatores inerentes a todos nós como mortais. O que procuro pensar nos momentos mais difícies da vida, isto é, quando acontecem essas calamidades como o deslizamento de Angra dos Reis, e também os moradores desabrigados devido à seqüência forte de chuva em outras localidades como em Duque de Caxias, é que essas pessoas não estão em nenhuma hipótese pagando pecados, bem como pagando por erros cometidos em outras vidas.

Há muitos que preferem entender assim o fato da situação abjeta, adversativa e difícil, no entanto, seria muito injusto eu pagar, por exemplo, por uma coisa que nem lembrava mais e isso acontecer a fim de contribuir para o meu crescimento. Entendo os fenômenos naturais por dois principais pontos.

O primeiro seria a conseqüência das ações do homem, ou seja, o homem na maioria das vezes provoca as catástrofes naturais. No caso de Angra, será que não existiu nem fiscal, engenheiro, arquiteto, representante da prefeitura local, enfim, alguém competente para poder esclarecer os perigos que aquela construção poderia possuir e/ou enfrentar.

Pode ser qualquer empresário, artista, esportista o criador de qualquer construção deste nível e naquelas situações, se a mesma pode provocar erros, acidentes, insegurança para os clientes deve ficar vedada à idealização seja lá do que for. Não podemos nos esquecer que quando o assunto é dinheiro muitos se corrompem, se entregam, se vendem. Fazer o que?

O segundo ponto seria o oposto disso, isto é, o homem não provoca, ele mesmo se torna alvo da vontade permissiva de Deus. O fato de Deus existir não significa que não devam existir acidentes, aleijados, feridos, deficientes, prejudicados, enfim. Deus deve ser glorificado até mesmo por uma vida deficiente, pois mesmo com o problema que for ainda existi a vida, que a maior oportunidade que temos, e única é claro.

A vontade permissiva de Deus faz com que a vida transcorra como deva acontecer fazendo com que aquilo que queremos, venha acontecer, no entanto, não anula a questão de Deus poder livrar, cuidar, curar, prover em vários momentos. Deus também não se torna obrigado a provar o seu poder a ninguém. Quando Deus então permite que alguns venham a passar por situações como a de perder uma casa devido à chuva, isso não quer representar em minha opinião que ele esteja fazendo injustiças pessoais, marcação com alguma família em específico, acepção de pessoas, em suma.

Uma parte da filosofia de Paul Sartre cabe neste momento, quando ele diz: "somos condenados a viver". Todos nós podemos passar por situações complicadas, aonde venhamos a desistir de tentar a solução.

A vida possui correntezas favoráveis e desfavoráveis para todos, apenas mudam as situações e os problemas. Não há espaço para entender que Deus escolhe alguns para sofrer, perder, apanhar, chorar, todos nós temos emoções diferentes com o passar dos tempos, vivemos situações diferentes com o passar das primaveras, possuímos humores antagônicos devido às situações existenciais.

Para resumir a ópera, entendo desta maneira os fenômenos naturais dirigidos a nós, pois enquanto vivermos seremos bombardeados com acontecimentos onde a entrega de nossas vidas a Deus se tornará imprescindível e necessária. Esta entrega pode acontecer quando entendermos que embora não haja explicação absoluta para tudo, a esperança que sentimos ao nos entregarmos para Cristo nos faz superar qualquer situação contrária.

Diego Nunes de Araujo
01/2010

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