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terça-feira, 5 de outubro de 2010

QUEM É DEUS?

Perguntaram para mim no meu Concílio Examinatório (reunião de pastores que avaliam candidatos ao ministério pastoral): "Quem é Deus?". Confesso que esta pergunta me calou os lábios nos primeiros segundos pois a própria pergunta indica, dependendo da forma como for feita, uma necessidade de definição de Deus. Todos sabemos que isso é impossível. Ao homem não é dado o direito deste feito, pois como relata Langston: "Ao finito não cabe definir o infinito". Langston está dizendo que é IMPOSSÍVEL dizer na sua totalidade quem é Deus. O homem é tão pequeno que sua condição é de criatura em referência a Deus (criador). O verbo "é" que se encontra na pergunta dá-nos uma pista a respeito de essência. Mas, precisamos entender que Deus ( Ser absoluto) existe antes das próprias palavras, por isso elas não podem defini-Lo.
Nietzsche vai dizer que Deus é o "totalmente desconhecido". Na sua oração ele faz essa e outras declarações a respeito de Deus. Para Nietzsche, Deus não pode ser conhecido, na verdade, podemos até mesmo falar de Deus mas nunca provarmos por a mais b que ele exista. Confesso que não pretendi nem definir Deus e nem dizer como Nietzsche disse que Ele é "totalmente desconhecido". Leio e estudo as obras do filósofo em foco, no entanto, entendo que podemos falar de Deus por meio da fé. Cientificamente acredito que não podemos provar sua existência devido ao simples fato da mesma ter pressupostos antagônicos aos da fé. A fé cristã em Deus parte do pressuposto de que Cristo é a revelação máxima de Deus, desse Ser absoluto como já falamos. A Palavra escrita de Deus é base para esse conhecimento de fé desse Deus. O Deus se deixa revelar na Bíblia, se utilizando de vários autores com sua cultura, tempo e personalidade. Dentro dessas razões, podemos acreditar que Deus existe para aqueles que colocam sua esperança Nele, e na forma como Ele se apresentou ao mundo (na consciência do homem).
Deus não pode ser definido e nem podemos dizer que provamos sua existência cientificamente, pois sua existência está no âmbito da fé. Aqueles que acreditam em Deus, e no Deus apresentado em Cristo (filho de Deus) vivem de acordo com os princípios bíblicos que são estudados e analisados para não cometermos nem tipo de incoerência ou até mesmo de falso ensino. A fé que se prese precisa ser lúcida, isto é, saber que não existe respostas prontas e que tudo está em constante aperfeiçoamento. Teologia se constrói de acordo com as experiências de fé e com os ensinos bíblico-teológicos. A base epistemológica do cristão que crê em Deus é a Bíblia interpretada à luz do Novo Testamento. Toda teoria para tentar responder a esta pergunta acima epigrafada é de cunho filosófico e teológico. Chegamos então a uma conclusão após todo este esforço que Deus existe para os que crêem Nele, e simplesmente a esses.
Na verdade a teologia durante sua história queria tratar de Deus como se fosse um objeto conhecido como nós conhecemos a madeira, a porta, o carro, a televisão, o fogão, enfim...A teologia precisa ser teologia e não pode se arvorar do direito de querer que todos entendam Deus com um experimento cientifico e provado. Entendo que aonde ciência e fé andam juntas, onde uma explica a outra, mas nunca podemos entender que falam a mesma coisa do mesmo assunto. Lucidez é importante e necessária para o que crê em Deus.
Deus é um espírito pessoal, revelado na Bíblia através de homens iguais a mim que tiveram uma experiência indescritível com esse Ser absoluto e indefinido. Acho uma boa resposta. Amanhã talvez terei outra melhor e mais honesta comigo mesmo e para com os outros que me ouvem.
Pr. Diego Nunes de Araujo
10/2010

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