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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

EVANGELHO DO PODER

Para muitos, ser evangélico se tornou em ter poder. Sentimento que com o qual podemos identificar a verdadeira identidade de alguém. Como diz o ditado: “Quer conhecer alguém? Dá dinheiro e poder para ela.” Falamos sempre isso, e é verdade. Muito querem o evangelho por uma questão de status. Mas o evangelho não possui em seus propósitos dar poder, colocação social de destaque a ninguém. O evangélico é para servir quem quer que seja.

Como acontece esse evangelho do poder? As igrejas cristãs estão recheadas de líderes que visam poder através de seus cargos de liderança. O intuito é ter poder e aparecer. A palavra final tem que ser a dele, tudo o que ele faz é muito bom e quem questioná-lo está em rebeldia. Não acontece uma espécie de debate de idéias. Acontece por outro lado, uma única e absoluta idéia: a dele. Se alguém levanta uma proposta de construirmos juntos projetos ou idéias, o “poderoso” não aceita, e é como se chamássemos para briga. O líder que acredita no poder e faz dele seu sustentáculo, não respeita sentimentos, não reconhece a individualidade alheia, não se importa com as outras opiniões mesmo quando elas só existem para ajudar.

O líder que busca poder desconhece a necessidade de amar o outro. O amor está sobre todo poder e se quisermos o ofício de liderança, precisamos começar a exercer o mais puro de todos os sentimentos: o amor. Líderes de poder desconhecem o amor, pois em muitos casos nem a si mesmos amam. Amar quando se é líder é correr o risco de alguém ser falso para conosco, mesmo quando queremos apenas ajudar. Poder institucional não combina com o amor incondicional. Há muitos poderosos arrancando lágrimas, pois seus objetivos é mostrar poder, custe o que custar. Mesmo que precisem passar por cima de alguém...

O evangelho de Jesus Cristo deve ser à base de toda liderança dita “evangélica”, mesmo que muitos pensem que usam o evangelho em suas lideranças. Ter o evangelho na liderança significa não ser seduzido pelo poder de manipular, mandar e de ser ditador. Cristo trazia propostas para as pessoas, Cristo não mandava em ninguém; Cristo fazia mediante o feito de alguém. O poder é diferente. Ele faz mesmo quando o outro está indisposto, e nem deseja ouvir o que outro tem para dizer. Eis a diferença de poder para amor, de instituição cega para o evangelho da libertação. Jesus Cristo poderia até ser obedecido, mas só o era devido ao amor que o envolvia em seus feitos, relacionamentos e palavras dirigidas a quem quer que seja.

O evangelho do poder é o evangelho que muitos querem, no entanto, não era o evangelho (boas novas) que Cristo anunciava. A grande verdade é que muitos confundem autoridade com poder. Autoridade você tem quando se esvazia de si por amor e com amor. Neste instante, adquirimos autoridade pelo mais sublime de todos os sentimentos: o amor ao outro.

Em suma, o que mais desejo nesta vida não é um evangelho do poder, mas com certeza, o poder que há no evangelho!


Pr. Diego Nunes de Araujo

10/2010

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