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quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

DE ONDE PARTIU O TIRO QUE MATOU A PEQUENA SOFIA?

"18 crianças com vidas interrompidas de janeiro de 2015 a janeiro de 2017" [Fonte: Ong Rio de Paz]

O lema central da polícia é servir e proteger, sim, servir e proteger, no entanto, sua condição é muito difícil, pois, se não está nas ruas é criticada (dizemos que estamos jogados à própria sorte), se está também é criticada (dizemos que a polícia não deve revidar o confronto).

Tenho certeza que a finalidade da polícia não é matar o bandido, porque eu não creio que "bandido bom é bandido morto"; muito menos, matar uma criança ou qualquer outra pessoa. E não estou dizendo com isso que o tiro partiu da polícia neste caso.

Acredito também que a polícia não faz justiça quando revida, muito menos quando ataca, e isso não é culpa dos policiais, mas do sistema de uma forma geral. Requeremos de uma instituição o que ela não pode fazer, mas como não levamos o assunto a sério, desejamos que esteja na rua "matando quem precisar matar", essa é a lógica a grosso modo.

Justica não se faz com armas, tiros e operações especiais. Justiça se faz com diversos elementos, tais como, educação - ainda somos amadores nisso -, princípio possível para uma sociedade mais justa.

Justiça também não é simplesmente o julgamento de quem acertou a pequena Sofia, ultrapassa a isso. Matar quem matou, ferir quem feriu, interromper a vida não é justiça. Justiça se faz quando pensamos a causa da violência e isso não é tão simples de se refletir.

Nosso ímpeto quer violência, nossa vontade é matar quem matou, ferir quem feriu, eu penso isso diante de um quadro desses - mentiroso quem nega isso -, no entanto, esse desejo nosso por vingança não é justiça. Ele é natural, mas não é o melhor diagnóstico para tratar o "câncer" da violência.

Não pense que estou tratando o bandido como príncipe, nem quem mata por matar, seja quem for, até porque temos leis e ainda somos humanos, outrossim, não é porque foi "vitima" que é justificável reproduzir violência. Entendemos a violência dos "violentos", mas choramos por causa dela, cremos que a vida não pode ser banalizada e que o crime não deveria ser o prato nosso de cada dia.

Chego a conclusão que a pergunta inicial resolve apenas o caso Sofia - com toda dor e respeito digo isso, porque também sou pai -, após investigação será julgado quem portava a arma de fogo do crime e com o tempo o episódio sai de cena. Desse jeito acontece todos os episódios de violência.

Mas, se quisermos fazer justiça, não basta descobrir de onde partiu o tiro, além disso, precisamos mudar a pergunta. Ao invés de "De onde partiu o tiro", para "Por que partiu o tiro". Resolver o caso Sofia é urgente - estamos todos abalados -, mas fazer justiça é fundamental para a sociedade, e isso não se faz com tiros e bombas, muito menos, com prisões que não suportam os "violentos".

Eu não defendo bandido, não sou de esquerda e nem pretendo ser, mas se o assunto for justiça, precisamos crescer e muito. Justiça se faz para todos e com dignidade! 

Paz e bem, 
Diego Nunes de Araujo 

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