FÉ DEMAIS, CHEIRA MAL! (1)
Um certo dia, os discípulos pediram a Jesus mais fé, uma fé grande, mas Jesus repreende-os dizendo que deveriam ter uma fé como um grão de mostarda.
Quanto maior a fé, mais a queremos, pois na mentalidade humana, o poder da fé está associado ao seu tamanho. Queremos destaque, queremos visibilidade, queremos os milagres. E assim até hoje acontece...
Mas Jesus quer dizer alguma coisa subversiva com esse "grão de mostarda". Talvez os discípulos estivessem questionando: "mas logo uma fé minúscula assim?". A lógica do Cristo está sempre em choque com a lógica humana!
Percebo que uma "fé grande", pode não ser necessariamente uma fé forte. E o problema central está aqui, quando achamos que somos e fazemos pela "fé grande" que temos.
Uma fé pequenina, a tal da "pouca fé", pode significar, na prática, mais confiança no Cristo do que a "fé grande". Uma fé que se percebe pequena, insignificante, é aquela "temperada no fogo da crise" que não sabe aonde cessará a fornalha, que só confia, que simplesmente suporta!
A demasiada fé, a "fé demais", geralmente está associada a um fundamentalismo que acaba transformando a fé num museu sombrio do passado, se fechando para as novas realidades e para os paradoxos da vida.
No entanto, a fé "como um grão de mostarda" tende a ser tão confiante que, ainda que se perceba diminuta, o seu poder está no que se crê e não no que pode realizar com a fé grande que se tem.
Que a nossa prece diária não seja para o aumento da nossa fé, todavia, para que a nossa fé seja como precisa ser: pequena, mas resiliente!
Paz e bem,
Diego Nunes de Araujo
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