O LUGAR DO NÃO-LUGAR
Nascemos num lugar, de dentro do ventre materno para o mundo. Neste mundo chegamos e encontramos um lugar para deitar, reclinar a cabeça, crescer e amadurecer. Chamamos isso de família, e neste ambiente aprendemos a ver o mundo e seus contornos.
Com o passar do tempo, vamos acumulando perdas, lutos, traumas e dissabores; vivemos decepções das mais diversas, fazemos pessoas chorar assim como choramos por pessoas, nos espantamos com a nossa humanidade. Nosso lugar parece ser sempre um lugar de dor, a vida é assim, não sei se já te disseram isso...
O antropólogo francês Marc Augé, trata sobre este "não-lugar", quando em 1992 apresenta este conceito pela primeira vez em seu livro: "Não lugares". O tempo da "sobremodernidade", como assim identificou, é a escolha pelas poucas relações, pela nulidade das ligações de identidade, a perda da história do "indivíduo-social".
O lugar seria o lar, o espaço para pertencer, para aprender, para se relacionar, para desaprender, para brigar, para se estranhar. A questão é que o não-lugar "tornou-se o lugar de muita gente". Estes "não lugares", citado por Augé, não requer mais convívios, relações diretas, e o conceito de sociedade vai se perdendo, dando lugar ao "viver solitário".
Hoje, chamamos o tempo que vivemos, a grosso modo, de contemporâneo, sendo o espaço de uma vida repleta de gente, mas solitária; repleta de "amigos sociais", mas vazia; corrida demais, mas lenta nos afetos. Convivemos com imagens, não mais com pessoas; com "fakes", não mais com gente de carne e osso; com performances, não mais com "humanos, demasiado humanos".
O lugar do "não-lugar" deve nos prestar um excelente favor, o de sermos sinalizados de que ainda podemos rever quais lugares temos e queremos fomentar em nosso cotidiano para não sermos meramente vazios em nossa caminhada, preocupados apenas com festas, presentes e maquiagens!
Paz e bem,
Diego Nunes de Araujo
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