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sexta-feira, 17 de julho de 2009

DEUS ESTÁ MORTO?

(RESENHA DA MONOGRAFIA
DEUS ESTÁ MORTO. QUEM O MATOU?
DESVENDAGEM À ASSERÇÃO ANTICRISTÃ DE NIETZSCHE.
AUTOR: MARCELO BARZOLA TABRAJ)



No primeiro capítulo o autor relata a vida de Nietzsche e suas obras como elas foram sendo escritas e editadas pelas editoras na época de sua ainda existência. Quanto a este capítulo, observo uma objetiva exposição das obras e da vida do filósofo abordado.

No segundo capítulo o autor já aborda a vida religiosa de Nietzsche. O autor então descreve que Nietzsche até os doze anos fora criado pela sua avó. Criado pelo e no pensamento de seus pais onde Deus estava na direção.

Anos depois ele ingressa a faculdade e sobre essa mudança de vida o autor descreve que nesta fase começa, portanto, sua mudança quanto à fé onde ele mesmo fora ensinado.
No item 2.3 onde o autor fala sobre “A vacuidade do seu coração” ele salienta que devia as influências que Nietzsche teve na universidade tiraram do coração do filósofo a adoração do Deus onde fora ensinado. Nietzsche com tantas influências coloca como sua filosofia a prosa, a poesia, sendo estas o modelo pelo qual Nietzsche sustenta e elabora todo seu pensamento.

Embora criado nesta cultura, tendo experiências, tendo também seu pai como pastor luterano, ele estava abandonando sua filosofia cristã.

O seu método de trabalho escreve o autor é a “marteladas”. Ele tenta a princípio inverter os valores, elabora aquilo que podemos chamar de genealogia dos valores. Invertendo então os valores, Nietzsche também aborda a questão da filosofia da vontade, que é uma força que domina.

Voltando na questão de como Nietzsche leva seus trabalhos e postulados filosóficos, no item 3.2. o autor aborda a dramatização que é encontrada no filósofo. Nietzsche trabalha com o trágico, e descobre este analisando os clássicos gregos chamados: Apolo e Dionísio. Estes simbolizam o positivo e o negativo para Nietzsche que é explicado na contraposição “fisiológica”.

Nietzsche coloca também como seu método “Que é?”, onde se torna sua própria forma de formulação filosófica. Por detrás de cada pergunta obtém-se um pensamento, uma força e etc.

Em suma, o seu método de dramatização era sua vontade de poder. Nietzsche, diz o autor, em toda sua vontade de sentir, de querer, de pensar e muitas vezes de nunca possuir o que ele quer e sim de possuir o que ele não queria e nem sentia.

Analisando a expressão “Deus está morto”, o autor relate que Lúcifer depois de caído, como o autor do pensamento de Nietzsche, que por sua vez, é movido a pensar o que pensou. Nietzsche como instrumento do Diabo não parece um argumento muito lógico para dialogar com as críticas do filósofo. Talvez elucidar que Nietzsche derruba a metafísica, mas que com essa expressão ele a usa, podemos até caminhar no estudo das críticas do filósofo. Usar o Diabo como autor ou movedor destas críticas é a mesma coisa que dizer que Nietzsche era um excelente Cristão quando escreveu o seu livro “O Anticristo”.

Falando de Niilismo, o autor coloca-o como sendo o precedente de Nietzsche. Niilismo é a base argumentativa de Nietzsche para declarar a “morte de Deus”, e exaltar o seu protótipo chamado super-homem. Nihil é a crença no nada, o valor do nada. É acreditar que a vida é valorizada como nada e nada mais.

Para o autor, o Niilismo de Nietzsche é fruto da Europa e de sua imoralidade, de sua corrupção, de sua falta de fé e devoção a Deus ou qualquer coisa do gênero.

Nietzsche para o autor da resenha, tenta desvalorizar o mundo, a crença, aquilo que é ideal, metafísico e enfim. Mas considero-me que quando Nietzsche afirma a morte de Deus, ele já está fazendo metafísica. O problema que levanto é esse.
Nietzsche deve se ater somente às doutrinas e/ou práticas cristãs, pois quando se trata de epistemologia, vejo o filósofo usando o mesmo método para anular/matar Deus.

No quinto capítulo “Deus está vivo”, o autor aborda que Nietzsche usa asserções fantasmagóricas de Nietzsche. Percebo que se torna imaginativa quando ele crítica a base epistemológica da fé em Deus, mas depois a usa para negar Deus.
No entanto, analisando as críticas ao cristianismo não consigo enxergar fantasia nenhuma e sim algo muito objetivo que fácil se aplica à prática da fé cristã.

Quando observamos um valor que Nietzsche dá ao “eu”, e não a Deus, podemos aplicar no tocante a uma possível anulação da vida quando nós nos menosprezamos e dizemos que tudo vem de Deus, foi dado e feito por ele, provido e mantido por ele, enfim. É possível que nós possamos chegar a uma anulação de nossa própria existência que para Nietzsche é super valorizada.

Não endosso com o autor em dizer que possui falácias, isto é, mentiras, engodos e falsas sentenças. Sim, Nietzsche quer combater uma fé que não é em qualquer coisa, ou em qualquer lugar, todavia, ele está destruindo a fé em Deus. Fé, sentimento e prática alimentada e refletida há séculos.

Na idealização do super-homem, Nietzsche substitui Deus por essa sua nova proposta de “fé” para o ser humano em geral.

DIEGO NUNES DE ARAUJO
07/2009

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