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sexta-feira, 17 de julho de 2009

Culpa e Graça.

CULPA E GRAÇA
- SENTIMENTOS ANTAGÔNICOS -


TOURNIER, Paul. Culpa e Graça: uma
Análise do sentimento de culpa
e o ensino do evangelho.
São Paulo: ABU, 1985. 218 p.

A presente obra resenhada pretende abordar as críticas, palavras mal colocadas, reprovações e erros que nos fazem alimentar um sentimento de culpa dentro do coração.
No decorrer da vida, do trabalho, dos estudos, enfim, em muitas ocasiões passamos por humilhações, às vezes até provocadas por nós mesmos, mas situações que nos fazem viver aprisionados por um sentimento que prejudica a nossa saúde emocional, que resulta na espiritual e física.

Para começo de citações do autor Paul Tournier, ele cita na página uma célebre frase que norteia a educação de muitos pais a seus filhos: “Você não têm vergonha de agir assim?”.

Esta frase-pergunta coloca-nos a idéia de repreensão que pressupõe um sentimento de culpa camuflado a ela. Não podemos imaginar primeiramente que a idéia dessa frase passe um sentimento negativo e prejudicial, no entanto, a mesma, pode representar ao ouvinte dela um sentimento maléfico, causando uma criança doente.

Todas as pessoas se acusam constantemente, estão se projetando em outras e fazendo das outras modelos a seguir. O autor conta uma experiência com sua esposa teve quando almoçavam e ela pediu uma outra comida menos língua de boi. Durante o almoço a esposa de sentiu culpada por ter mudado o cardápio, e mesmo o marido que o marido não tivesse reclamado pela mudança, ela sentiu-se ameaçada dizendo que o silêncio dele fora expressivo demais.

Com este gesto diz o autor, ele causou um sentimento de falsa culpa nela, pois não emitiu o que na verdade faz parte de seu “eu”, de sua vontade de expressão na hora da mudança do cardápio.

Somos sempre punidos a não tomar certas atitudes, a não sermos mesmos porque não martirizamos pelas outras. Sentimos um medo de nos expandirmos, expressarmos nossas críticas, pensamentos e atitudes momentâneas.

O que nos culpa também não é só o medo de nos expressarmos frente a alguém. Todavia, o fato de descobrirmos impotências em nós nos possibilita a ficarmos culpados de certa maneira. A impotência fazer uma unificação, de apagar esta dualidade entre o nosso ser escondido e o nosso ser aparente.

Como resultado disso, os homens se surpreende pela capacidade de fazer uma coisa que nunca pensaria que pudessem cometer; esse atordoamento, de se julgar pelo fato ocorrido, é bem visto até pelos homens e mulheres mais seguros de si. Não foram criados para errar afinal!

Quanto mais estudarmos nosso estado psicológico e também analisarmos nossa situação interna, veremos o cada estudo, que somos desconexos, incoerentes e seres que expiram cuidados. Quanto mais nos estudarmos, veremos a separação, o hiato existente entre o ser interior e o ser aparente que somos.

Vemos à luz do autor, a solução para o sentimento de culpa que torna o ser humano desprezado e desesperançado. Jesus Cristo possui uma proposta graciosa para todo sentimento de culpa que gera uma pessoa desprezada e solitária.

No texto do evangelho de João oito, vemos a libertação da mulher das mãos de acusadores que estavam acusando uma mulher de adultério. Jesus através da sua graça que não olha o erro como opção de escárnio, mas o olha como oportunidade daquela mulher crescer e ser liberta das mãos dos acusadores fariseus.

A graça é antagônica ao sentimento de repreensão, de acusação, de maldição. Oferecida por Jesus, ela liberta escravos de sistemas morais que servem apenas para controle social, e para manutenção do poder cruel e hipócrita.
Jesus Cristo veio nos ajudar a caminhar para conseguirmos nos dar bem com Deus, pois quando não o conseguimos nos dá a mão para tentarmos acertar, e for liberto muitas vezes da culpa e da escravidão.

Podemos pensar que nos libertaremos da culpa, jogando-a a outrem ou a Deus, mas dessa forma estamos nos alindo mais ainda ao mesmo sentimento que estamos direcionando a outro. Pela graça de Cristo fomos comprados, preço pago o suficiente para nos ajudar a eliminarmos as culpas adquiridas pela caminhada da vida.

Na descrição do texto bíblico, vemos a relação do homem para com Deus não como algo estático, parado e sem sentido de ser, todavia, algo que se revela ao longo da história, na mesma dinâmica da história. Esta relação é a tradução dos sentimentos mais intrínsecos do ser humano que é a salvação.

As nossas ações nos levam desespero devido à culpa, cólera, crime e novamente culpa (uma corrente descrita pelo autor para elucidar o sentimento do ator da história bíblica citada na página 170), pois refletem o nosso sentimento momentâneo. Por outro lado, as ações de Jesus Cristo, pode nos levar à cura de nossas feridas, crimes e agruras.

Quero concluir esta resenha elucidando o para mim seria a tese do autor. Na primeira parte, diz o autor, ele mostrou a extensão da culpa; na segunda, ele mostrou a facilidade de julgar o culpado e o não culpado; na terceira parte, ele mostrou o amor de Cristo que recebe a todos os desprezados pelo mundo.

Nestas três partes, o autor discutiu a culpa e a graça, e nos apresentou a necessidade de não termos a capacidade de expurgarmos de nós totalmente à culpa, ou termos totalmente a graça dentro de nós. Precisamos caminhar entre a culpa e a graça, fazendo com que nelas possamos entender o nosso dilema como seres humanos, e a nossa imperfeição.

A atitude humana mais coerente é descobrirmos a solução para os problemas e nos deixar a salvo dos excessos desses sentimentos antagônicos.

Diego Nunes de Araujo
06/2009

1 Comentário:

Anônimo disse...

cara to lendo esse livro, muito bom, boa resenha... Deus siga abençoando sua vida

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