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sexta-feira, 17 de julho de 2009

Aconselhamento Saudável Na Prática Pastoral

(Resenha do Livro
A arte do aconselhamento psicológico. Autor: Rollo May
Editora Vozes, 1982)


A presente obra parte de casos reais para ilustrar ao aconselhando sobre como manter uma linha sadia de aconselhamento psicológico. Um guia prático de aconselhamento mantendo a descrição dos casos citados, mas que podem ser aplicados à nossa prática de aconselhamento.

Na primeira parte desta obra, Rollo May, pretende apresentar aos seus leitores os princípios fundamentais que ele usará com plataforma epistemológica para toda a sua elaboração no tocante à temática pretendida nesta obra resenhada.

Na segundo parte desta obra, o autor, pretende abordar a execução desses princípios apresentados na primeira parte. Seria uma prática dessas abordagens citadas nas páginas do capítulo anterior.

O terceiro capítulo, May, conclui de forma geral o assunto abordado nesta obra. Ele relata suas considerações finais acerca da personalidade do aconselhador; da moralidade na prática do aconselhamento, e sobre a importância da teologia para o aconselhamento.

Analisando o capítulo primeiro, observo que o autor cita alguns problemas envoltos da personalidade e de sua formação. Quando então o autor começa a descrever os possíveis problemas da personalidade, afirma que a origem dos problemas da personalidade é uma falta de ajustamento das tensões dentro da própria personalidade. (p. 25).

A título de exemplo o autor relata que quando somos abordados na rua e começamos a conversar com alguém que nos aborda, nós neste momento estamos sofrendo um reajustamento da personalidade, pois ficamos entre o domina-la ou não, devido também ao fato dela ser uma pessoa amada por nós.
Quando também sofremos um sentimento de fazermos isso ou aquilo, de inferioridade, de glória ou de desonra, neste momento estamos tendo um reajuste na personalidade.

Em suma, a personalidade está em constante mutação, transformação, aperfeiçoamento, variável, isto é, ela não é estática como diz autor.

No segundo capítulo, encontramos uma descrição da personalidade. Para todo exercício de compreensão da personalidade será pouco consciente – ou quem sabe inconsciente – se não definirmos a personalidade.

Para o autor, a personalidade é caracterizada pela liberdade, individualidade, integração social e tensão religiosa. As muitas conceituações da personalidade geram riqueza
Na compreensão da mesma. E ao falar de compreensão, conceituação e riqueza devemos salientar a grande contribuição de Sigmund Freud, como cita o autor.

Com o seu método da psicanálise, Freud aborda e instiga o inconsciente das pessoas, mostrando um lado obscuro, ainda não mostrado e estudado, uma parte do ser humano que muitos não queriam que fosse explorada.

Dentre tantas contribuições que a psicanálise trouxe no estudo da mente humana, o autor cita o insight. Esta contribuição nos mostra o “reino do inconsciente”. Onde se deve levar em conta muito mais o inconsciente, e não apenas deixar-se ser conduzido pelas estruturas já montadas que por sua vez fazem vivermos em função do ego consciente.

A questão da liberdade é entendida como a posse dessas possibilidades criativas. À medida que os problemas de personalidade são resolvidos, o aconselhando vai se tornando mais senhor de sua liberdade, construindo uma mente sadia que possibilitará uma qualidade vida melhor reconhecendo, portanto, as possibilidades criativas existentes.

No tocante a individualidade, o autor expõe que quando uma pessoa procura aconselhamento devido a um problema na personalidade, é porque ela não está conseguindo ser ela mesma. Ser saudável é aceitar-se como é, e não tentar escapar por outros caminhos de sua própria “essência natural”. Não alcançar os objetivos nas baladas juvenis, é, portanto, motivo suficiente para uma jovem se embebedar, obter relações sexuais, se drogar, enfim, o fato dela não aparecer e brilhar como queria, a fez tentar fugir de si mesma.

O aconselhador precisa ajudar o aconselhando a encontrar uma ponte de equilíbrio entre o consciente e os vários níveis do inconsciente.

No tocante a integração social, o autor May, relata que a personalidade não pode ser entendida fora de seu contexto social. Estudar a personalidade é estudar o contexto que por sua vez formou essa personalidade.

Para o autor, não significa que um sujeito que seja bem sucedido na vida tenha resolvido os seus problemas de ordem da personalidade. O ser humano que não consegue manter contato físico, interagindo com os demais numa sociedade, comunidade, grupo religioso, é um sujeito neurótico.

Doutor Adler relata, cita o autor May, que o indivíduo que não interage na sociedade não pode manter uma boa saúde mental, pois essa mesma sociedade é a que determina a estrutura de sua própria personalidade. O amor, para o Doutor Adler, é a lógica que nos une enquanto seres humanos.

Abordando a temática: Tensão Religiosa, o autor se propõe a resumir esta questão salientando que é função do aconselhador auxiliar o aconselhando a se livrar do sentimento de culpa doentio, ao mesmo tempo o ajuda a aceitar e afirmar corajosamente a tensão religiosa inerente à sua natureza.

No terceiro capítulo desta primeira parte de teoria, o autor aborda a questão da empatia, citando sua importância, suas conseqüências para a prática do aconselhamento e como alcança-la.

Empatia significa sentir dentro. É um sentimento muito forte por alguém. May relata esse conceito para ficar claro o que seria essa pequena, mas tão importante palavra.
Então, empatia significa o sentir, ou o pensar a personalidade de outro, até que ambas se identifiquem uma dentro da outra.
Na segunda parte deste tratado de aconselhamento psicológico, o autor sugere capítulos que ajudarão a leitor na prática do aconselhamento.

Inicia seu quarto capítulo, abordando a leitura do caráter. Neste propósito então ele relata que a característica mais importante do aconselhador é sua grande sensibilidade a pessoas, isto é, sensibilidade a seus medos e tensões de personalidade.

O autor ainda na leitura do caráter cita algumas atitudes tomadas pelo aconselhando que, por sua vez, podem nos ajudar a ler de maneira hipotética aquele tipo de caráter.

Em primeiro lugar, o modo como o aconselhando procura o aconselhador pode desenhar para todo o aconselhador o caráter daquela pessoa. Uma em direção ao aconselhador é uma característica de uma determinada, decidida, pronta para realizar o que venho cumprir.

Em segundo lugar, o modo como se aparte a mão, numa atitude de saudação. Este modo ajuda-nos a entender uma pessoa neste momento. Uma pessoa que logo tira sua mão nos cumprimentos talvez não esteja a fim de conhecer o aconselhador, ou quem está cumprimentando.

Em terceiro lugar, o modo de trajar. Para Freud, cita o autor, o significado de todos os detalhes de uma vestimenta quer dizer alguma coisa, uma mudança que se faz para ir a um compromisso quer representar um objetivo, mesmo que seja inconsciente.
Existem outras chaves de compreensão do caráter do ser humano, mas todas que relatei, possui para um peso mais considerável e mais aplicável à minha prática de aconselhamento.


Um programa de aconselhamento é aplicado na medida da disponibilidade do aconselhando. Mas, na vida do pastor de tempo integral, ele possui certa facilidade para esta questão, para essa demanda de aconselhar todos aqueles que vierem à sua presença.

Para então se montar um programa de aconselhamento, segundo May, é preciso estar disposto a gastar tempo, criar tempo, disponibilidade.
Também divulgar entre os próprios aconselhados a sua disposição e tempo para atingir a vida daqueles muitos que virão à sua sala, presença, gabinete, casa, enfim.

Na prática, portanto, do aconselhamento, é preciso diferenciar: aconselhamento de dar conselhos. Dar conselhos para o autor May, não significa genuinamente aconselhamento. Pois, nem sempre o conselho tem haver com um problema de personalidade.

Na prática do aconselhamento deve haver uma grande atenção por parte de quem está fazendo o mesmo, pois o conselho dado pode violar uma determinada personalidade. Por isso o aconselhamento é uma prática contínua, complicada, penosa, árdua, devido ao fato de se estar lidando com a vida interior do sujeito que está sendo aconselhado.

No tocante ao aconselhamento, precisamos estar sempre em contato com o sujeito que está sendo aconselhado seja ele quem for, seja ele da onde for, ganhe quanto for.
Na prática do aconselhamento, relata May, é muito importante não emitirmos juízos morais, julgamentos carregados de preconceitos.

O aconselhador não pode ir para a consulta, para a clinica, para o encontro com o outro, com uma opinião já formada, determinada por pela opinião de alguém, por uma opinião própria ou por um postulado religioso, por mais que este seja o mais aceitável por quem está aconselhando.


DIEGO NUNES DE ARAUJO
06/2009

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