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sexta-feira, 9 de junho de 2017

FÉ DEMAIS, CHEIRA MAL! (2)

Como vimos no texto anterior, Jesus repreende os discípulos por pedirem um aumento da fé, pediram uma fé maior, algo grande. 


Por trás do discurso de uma "fé grande" existe alguém desejoso de respostas prontas e acabadas, que a vida seja menos complicada, que haja mais paz e tranquilidade. Isso todos queremos, na verdade. 


O interessante é que não gostamos de assumir as nossas limitações, repare no discurso dos que têm a dita "fé grande". São triunfalistas, detestam falar de dias maus, são demasiadamente "mentirosos", adoram autoajuda, não dizem a verdade nem pra si mesmos. 


Mas, o que uma "fé grande" esconde? 


Primeiramente, não suportam o medo das incertezas. São medrosos, não conseguem conviver com a impossibilidade de não poder, se não saber, de não conseguir. Se escondem, portanto, atrás de uma fé que anestesia por alguns dias, fazendo-os "esquecer" de seus insucessos. 


Noutro momento, esse perfil de fé esconde pecados. Essa "fé grande" se torna "santidade grande", que serve, via de regra, para cuspir nos outros, pois na verdade se consideram "separados deste mundo", uma vez que não sentem desejos impuros como os outros mortais. Tá vendo só como fede essa fé? 


Esta "fé grande", se revela também como aquele sentimento mais egocêntrico do coração humano. É uma fé tão grande que é só para o fiel. Fé como magia, capaz de fazer acontecer e surgir o que falta na sua própria vida. Fé individual, não comunitária; fé pra mim, não pra ti; fé pra cá, não pra lá! 


Sim, será melhor não desejarmos como os discípulos e sim orarmos como o mestre afirmando que o pai é sempre nosso, para todos, em todos e por todos, e que a fé que é relevante não tem sentido se não alcançar o semelhante! 


O mestre deseja que a fé seja como um grão, não uma fé maior, midiática, espalhafatosa, gigantesca, hipócrita, seletiva, abjeta, moralista, antiquada, sem sal...


Que a nossa oração sempre seja: "Senhor, dai-nos uma fé na sua pessoa, uma fé mais humilde, perseverante; uma fé que não tenha respostas para tudo, mas que confia acima de tudo; uma fé mais silenciosa e menos barulhenta; uma fé com mais anseios e menos verdades; uma fé de menos, para cheirar melhor; uma fé como um grão, simplesmente um grão. Amém!"


Paz e bem, 

Diego Nunes de Araujo 


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